Zardini faz balanço no MPES e diz que número de promotores é insuficiente para demanda

O procurador-geral do Ministério Público Estadual do Espírito Santo, Fernando Zardini, fez um balanço das ações desenvolvidas pelo órgão ao longo do ano e reconheceu que o número de promotores é insuficiente para atender toda a demanda da população. No entanto, ele afirmou que apesar desses problemas, medidas foram adotadas para minimizar os efeitos da falta de pessoal para a população. Em entrevista ao Folha Vitória, Zardini destacou ainda a parceria com o Tribunal de Justiça no combate à corrupção no Espírito Santo. “Não vamos mais permitir que atos de desmandos aconteçam novamente no nosso Estado”, disse.

Confira a entrevista na íntegra:

Folha Vitória: Qual é o balanço que o senhor faz deste ano à frente do Ministério Público?

Fernando Zardini: Nós temos uma visão extremamente positiva, tanto no âmbito interno, e seja no que diz respeito às nossas ações promovidas pelos promotores de Justiça nas suas áreas de atuação. No setor de meio ambiente, por exemplo, tivemos o Wind Fence [equipamento de controle à poluição] na Vale e que já está surtindo resultado. Ainda no campo no meio ambiente fechamos termos de compromisso ambiental com prefeituras da Grande Vitória em relação à coleta seletiva. Na área de infância e juventude a nossa atuação, principalmente juntos ao Iases e demais instituições ligadas a menores em conflitos com a Lei, tem sido positiva e com reconhecimento de diversos órgãos nacionais e internacionais. Na área da saúde, as conversas que temos tido com as secretarias têm produzido avanços consideráveis diante de uma situação que não é local, é nacional. Assim também é na educação, já que estamos mantendo diálogo com todas as secretarias, promovendo capacitações e produzindo formas de linguagem que sejam comuns entre as instituições na busca de resultados que é de interesse de todos. Hoje conseguimos ainda produzir uma nova consciência em termos de gestão. Em custeio tivemos uma economia considerável devido a vários controles de gastos que instalamos. O Ministério Público tem padrão completamente independente, com sedes próprias ou locadas em todo o Estado. A população sabe que tem na figura de um promotor ou procurador de Justiça alguém que pode defender seus interesses coletivos na área de defesa do consumidor, na defesa do patrimônio público, enfim. Todas essas ações, incluindo o planejamento estratégico, vêm sendo cumpridas e proporcionando um crescimento bastante significativo em termos de Estado, mas também nos trouxe o reconhecimento da sociedade, que é nossa maior conquista.

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Folha Vitória: E quais são as expectativas para o próximo ano?

FZ: A expectativa é conseguir aperfeiçoar os nossos mecanismos de controle e de trabalho para que esses resultados possam continuar a produzir efeitos e efeitos rápidos para a população, proporcionando assim que todas as expectativas de cada cidadão sejam atendidas em um menor espaço de tempo possível.

FV: Durante o ano o órgão realizou várias operações que levou para a cadeia políticos e empresários. Quais as ações que serão feitas em 2012 para o combate à corrupção?

FZ: Assinamos na posse do presidente do Tribunal de Justiça [desembargador Pedro Valls Feu Rosa] o compromisso de trabalhar no sentido do combate à corrupção, dando agilidade a esses processos. Vamos investir bastante nesse termo de compromisso para unir esforços ao Judiciário e dar contribuição para que esse combate seja ampliado, trazendo resultados para que a sociedade veja que as instituições não estão mais sendo omissas ou passivas nos atos de corrupção que traz grande repulsa à sociedade. Nosso trabalho é exatamente o contrário. As nossas ações têm demonstrado que estamos atentos a isso. Não vamos mais permitir que atos de desmandos aconteçam novamente no nosso Estado.

FV: O senhor acredita que a instalação de painéis que já foram colocados no TJ-ES vão acelerar os processos que se arrastam no Judiciário?

FZ: É uma iniciativa nova, que tem que ser testada. Certamente eles vão passar por ajustes e serão instrumentos na busca pela melhoria dos serviços como um todo, não apenas do Judiciário, mas também de todos aqueles que trabalham no sistema jurídico do Estado.

FV: A estrutura hoje do Ministério Público é suficiente para atender à demanda da população?

FZ: A nossa estrutura melhorou muito em termo de espaço físico, tecnologia e funcionários, mas ainda temos carência de funcionários que precisa ser resolvida a curto, médio e a longo prazo com a contração via concurso público para que possamos aperfeiçoar nosso mecanismo de trabalho. O que temos procurado ao longo desse tempo é criar uma estrutura enxuta, investindo em tecnologia, economizando em mão de obra, não cometendo erro antigo e nos dando o direito de cometer erro novo por conta dessas inovações. O número de promotores não é suficiente para atender toda a demanda que o Estado necessita.

FV: 2012 é um ano eleitoral, haverá alguma ação específica para o combate ao crime eleitoral?

FZ: A parte relativa ao crime eleitoral fica com a atribuição do Ministério Público Federal (MPF) e os promotores de Justiça em suas comarcas. Eles são os órgãos fiscalizadores. O que temos procurado fazer é trabalhar em parceria com o MPF evitando assim que esses crimes eleitorais, tão comuns nesse período, tenham diminuição garantida e que as eleições venham refletir o sentimento da sociedade.

fonte- folha vitoria