Depois de mau uso de verba, vereadores de Vila Velha aumentam os próprios salários

Em uma sessão confusa, com o projeto incluso em pauta e sem discussão, os vereadores de Vila Velha aumentaram os próprios salários em R$ 4.570, atingindo o teto máximo permitido por lei de R$ 12 mil – 60% da remuneração dos deputados estaduais. Atualmente os vereadores recebem R$ 7,4 mil.

Com o novo valor, a Câmara vai gastar R$ 3 milhões por ano, a partir de 2013, apenas com os salários dos parlamentares, que passam ainda a contar com mais quatro colegas em plenário. A Casa já havia aprovado o aumento do número de vereadores, dos atuais 17 para 21.

O rombo com o aumento salarial é de R$ 1,1 milhão ao ano, um reajuste bem acima do dado aos trabalhadores.

O vereador João Batista Babá (PT) chegou a afirmar que “faltou transparência” na condução da votação, mas que não iria agir com hipocrisia e votar contra o reajuste depois que deputados federais e estaduais também aumentaram seus salários.

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O projeto foi aprovado por unanimidade mas, incluído em pauta na última hora, há vereadores que dizem não ter nem visto a votação. Diante da repercussão negativa, parte dos vereadores já pensa em uma conversa com o Executivo municipal para que o prefeito Neucimar Fraga (PR) vete a matéria.

Polêmicas na Câmara

A aprovação do aumento do salário dos vereadores acontece em um momento marcado por polêmicas na Câmara de Vila Velha. O Tribunal de Contas detectou gastos irregulares na Casa, referente ao ano de 2009, no valor de R$ 1,1 milhão. Entre os gastos, consumo de moquecas e casquinhas de siri e almoços em Domingos Martins.

A mesma verba que bancou essas iguarias para os vereadores de Vila Velha, em 2009, foi oferecida aos parlamentares até março deste ano. A lei, que autorizava o pagamento, permitia que eles recebessem até R$ 7 mil reais para pagar, entre outras despesas, material de escritório, selos, combustível para veículo próprio e alimentação. A verba indenizatória era entregue diretamente ao vereador, segundo o presidente da Câmara Ivan Carlini (PR), em um cheque nominal.