Whatsapp em horário de trabalho pode dar justa causa

confira_nosso_tutorial_e_saiba_como_responder_suas_mensagens_do_whatsapp_direto_na_tela_de_bloqueio_do_seu_aparelho-139280Foi-se o tempo em que os aparelhos celulares serviam apenas enviar mensagens ou para fazer e receber ligações. Com a popularização dos smartphones, os dispositivos móveis passaram a ser multitarefas e acabaram se tornando companheiros inseparáveis no dia a dia: eles nos auxiliam pagar contas, conversar com amigos, paquerar e até realizar negócios. Isso tudo na palma da nossa mão.
Entre um cliente e outro que visita a loja onde trabalha, a vendedora de artigos de decoração Thais Reis, 22, utiliza o aplicativo de mensagens instantâneas Whatsapp para conquistar novos compradores. “A maioria dos nossos clientes usam o aplicativo e eu acabo enviando as fotos dos nossos produtos para eles conferirem”, contou. “É uma maneira mais rápida para me comunicar e fechar um pedido”, complementou a jovem.
Apesar do sucesso das redes sociais e aplicativos de mensagens, a sua utilização nem sempre é vista com bons olhos dentro das empresas. Se em alguns locais, o uso pode ajudar alcançar as metas e os objetivos traçados em conjunto; em outros, eles podem influenciar negativamente na produtividade dos trabalhadores e até gerar demissões.
“(Com o uso do celular no horário de trabalho) o profissional acaba perdendo o foco. A produtividade e qualidade do seu trabalho também acabam caindo”, explicou Juliana Cardoso, diretora administrativa da RH Psicoespaço, que realiza a seleção de novos funcionários para mais de 60 empresas capixabas.
Ainda de acordo com Juliana, os prejuízos do uso exagerado do celular dentro do local de trabalho podem influenciar na forma que os patrões enxergam a conduta do funcionário. “A imagem desse profissional acaba sendo prejudicada. Ele começa a ser encarado como um pessoa descompromissada”, afirmou.
Para o advogado trabalhista e conselheiro da OAB-ES, Fernando Madeira, enquanto em algumas atividades o uso de redes sociais e aplicativos de mensagens deve ser incentivado, em outras essas ferramentas devem ser restringidas. “Depende muito da atividade que o empregado faz. Há atividades que não toleram o uso de celular em hipótese alguma, como é o caso do vigilante bancário e motoristas de ônibus”, disse.
Mesmo quando o dono da empresa percebe que a produtividade de seu funcionário está sendo afetada pelo uso do celular, Madeira acredita que uma demissão pode ser um exagero. “Eu acho que sempre um abuso se falar numa demissão por justa causa por isso. O que deve acontecer é um processo pedagógico ou uma advertência prévia antes dessa situação”, destacou o conselheiro da OAB-ES.
No entanto, não são apenas os funcionários que podem ser penalizados pelo uso excessivo dos smartphones e seus aplicativos. Os patrões também. O advogado trabalhista explica que os trabalhadores podem ser ressarcidos quando são levados a resolver problemas profissionais – seja por Whatsapp ou outros apps – fora da sua jornada de trabalho. “Casos onde o empregador fica cobrando de seu empregado algumas atitudes fora do hora extra podem gerar o direito de cobrança de hora extra”, alertou Fernando Madeira.