Viana: um histórico de crises políticas

Vereadores presos, baleados, assassinados. Prefeitos na cadeia ou afastados. A história política de Viana está repleta de episódios que denotam um passado, no mínimo, conturbado.

O mais recente foi a denúncia de compra de votos e ligação com o tráfico de drogas que atingiu o prefeito eleito Gilson Daniel (PV).

Ele chegou a ter a diplomação suspensa pela Justiça Eleitoral do município, mas conseguiu reverter a decisão no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Gilson nega todas as acusações e se diz vítima de “uma tentativa de golpe” porque “quebrou uma oligarquia de 20 anos”.

A instabilidade na cidade nem sempre se deu apenas por decisões judiciais. Quatro tiros deram fim à vida do presidente da Câmara João José Barbosa, em 1998. Na ocasião, o prefeito José Luiz Balestrero foi apontado como mandante do crime, e chegou a ser preso, mas foi absolvido em júri popular.

Na mesma época, oito vereadores da cidade também foram para a cadeia, acusados de participação em um esquema de desvio de verbas na prefeitura. Durante 25 dias, a Câmara ficou parada por falta de quórum, até que suplentes foram nomeados.

Balestrero também foi acusado de desvio de dinheiro público. Pesou contra ele ainda a morte de um ex-assessor, Genildo de Assis, ocorrida em 1998. O prefeito foi cassado pela Câmara em 1999.

O vice-prefeito, João Batista Novaes, comandou o Executivo municipal até 2000, quando houve novas eleições. Quem venceu o pleito foi Nonô Lube.

Atentados

Mais tiros atingiram o Legislativo da cidade em 2001, quando o vereador Valdeci de Moraes, o Jesus, foi alvo de dez disparos ao sair de uma sessão da Câmara.

Ele sobreviveu e acusou outro vereador, Celso Bueno, de ser o mandante. Bueno negou participação no crime.

No ano seguinte foi o próprio Bueno a vítima de um novo atentado. Ele foi ferido por três tiros e sobreviveu.

Jesus, que havia escapado da primeira tentativa de homicídio, acabou assassinado dentro da Câmara em 2006. Outro parlamentar, Lauro Poubel, confessou ter encomendado a morte do colega. O motivo foi a disputa pela presidência da Casa.

Enquanto isso, no Executivo, Solange Lube havia assumido a prefeitura porque o pai, Nonô, deixou o cargo para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa. Solange era a vice-prefeita.

Em 2007, já reeleita, ela foi afastada do cargo sob a acusação de ter nomeado servidores fantasmas em troca de apoio e votos.

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O vice, José Luiz de Oliveira, assumiu o Executivo por alguns dias, até que a Justiça determinou a volta da prefeita.

História instável

Cassação

A sucessora de Solange foi Ângela Sias, outra prefeita que se viu às voltas com a Justiça. Ela chegou a ser cassada em maio de 2009, acusada de usar a máquina pública durante a campanha eleitoral, quando contava com o apoio de Solange.

Quem passou a comandar a prefeitura foi o presidente da Câmara, Antônio Moraes Firme, mas no mesmo mês Ângela foi reconduzida ao Executivo.

Os ecos do passado de Viana ainda estão presentes. Somente em 2012 o ex-prefeito Balestrero teve a prisão decretada após ser condenado a 15 anos pela morte do ex-assessor Genildo.

Cassação

O então prefeito José Luiz Pimentel Balestrero teve o mandato cassado pela Câmara em outubro de 1999. Além de assassinatos, ele também era acusado
de desvio de verba.

Mandante

Em 1º de junho de 2000, Balestrero foi preso,
por um dia, acusado
de ser o mandante
do assassinato de um ex-assessor, Genildo Maciel de Assis.

Suspeito

O então prefeito já era apontado como suspeito de ser o mandante
do assassinato do presidente da Câmara, João José Barbosa, assassinado em 1998.

Vereadores

Oito vereadores foram denunciados por desvio
de recursos da prefeitura. O grupo chegou ser preso e afastado em 1998.

Atentado

Em novembro de 2001, outro presidente da Câmara, Valdecir Cândido de Moraes,
o Jesus, sofreu um atentado. Ele foi atingido por dez tiros,
mas sobreviveu.

Novo atentado

Em abril de 2002, o vereador Celso Bueno levou três tiros e também sobreviveu. Bueno chegou a ser acusado de ser o mandante do atentado contra Jesus.

Assassinato

Cinco anos depois,
o vereador Jesus foi assassinado dentro do plenário da Câmara.
Ele foi atingido com
10 tiros. Após o primeiro atentado, o parlamentar havia passado a andar armado, mas não teve tempo de reagir.

Colega

O também vereador
Lauro Poubel foi preso e confessou ser o mandante da morte de Jesus.

Afastamento

A prefeita Solange Lube foi afastada em 2007 acusada de contratar servidores fantasmas. Ela voltou ao cargo poucos dias depois.

Cassação II

A sucessora de Solange, Ângela Sias, chegou a ser cassada em 2009, mas rapidamente
voltou ao Executivo.

Justiça

Pela morte do assessor, em 1998, pela qual já havia sido condenado
a 15 anos de prisão, o ex-prefeito Balestrero
foi preso em 2012.