Vereador reclama que salário de R$ 7 mil não paga despesas

Declaração é de Zizi, de Vila Velha, um dia depois de o TCES ter questionado gastos

Mariana Montenegro
mmontenegro@redegazeta.com.br

Zizi destacou, no entanto, que não quer aumento

Gastos demais
Auditoria:
O TCES apontou, após auditoria, que a Câmara de Vila Velha cometeu irregularidades em mais de R$ 1,1 milhão no exercício de 2009.
Verba de gabinete: A auditoria constatou despesas sem interesse público no total de R$ 976.133,32. Foi apontado erro no abastecimento de carros particulares, além no custeio de alimentação, material gráfico, selos e postagens.
Licitações: Há indicações de fraude na licitação de locação de carros, além de irregularidades no contrato para fornecer materiais de informática.

Após o Tribunal de Contas do Estado (TCES) apontar gastos irregulares de mais de R$ 1,1 milhão na Câmara de Vila Velha, os vereadores agora reclamam que estão tendo que usar o próprio salário para despesas de mandato. De acordo com o TCES, a Câmara bancava até moqueca e casquinha de siri.

Segundo parlamentares ouvidos por A GAZETA, a cota de gabinete de R$ 5 mil foi extinta desde o ano passado e eles têm que arcar com os custos de selos, combustível, telefone e até material de limpeza.

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Um dos vereadores chegou a dizer que, “para o parlamentar que quer trabalhar, esse valor é até pouco”. “Vila Velha cortou na carne. Nós não temos verba extra, não temos carro, gasolina nem 13º salário”, afirmou um dos vereadores, que disse acreditar que essa discussão tem “razões políticas”.

Com postura defensiva, dizendo que todos os seus gastos de cota de gabinete foram usados dentro de Vila Velha, Ozias Zizi (PRB) explicou que os parlamentares decidiram elaborar um projeto e votar pelo fim da cota de penduricalhos em março de 2010.

“Com o dinheiro, podíamos pagar o combustível para visitar os mais de 100 bairros de Vila Velha e comprar material gráfico. Agora tem que sair do nosso bolso”, afirmou. “Mas não quero aumento de salário”, frisou.

Sobre o R$ 1,1 milhão apontado como irregular pelo TCES, Zizi afirmou que o melhor é aguardar pela finalização do caso. “Eu usei o dinheiro dentro de Vila Velha. Se alguém usou a verba em outros lugares, eu não sei”.

Pedindo para não ser identificado, um parlamentar admitiu que usava a verba para pagar almoços com representantes de entidades e coffee break em eventos como planejamento estratégico.

A reportagem procurou o presidente da Casa, Ivan Carlini (PR), mas ele não retornou aos chamados.

O TCES identificou mais de R$ 1,1 milhão em gastos suspeitos na Câmara no exercício de 2009. As despesas foram com alimentação, combustível para carro particular e contratos e licitações irregulares.