Tive medo de falar a verdade’, alega taxista assassino das primas de Marechal

O taxista Deonésio Geik, 34 anos, que confessou a prática de dois homicídios bárbaros em Marechal Floriano, Região Serrana do Estado, retornou à prisão no final da tarde desta quarta-feira (27) após confessar o assassinato de Tânia Rodrigues Pereira, que tinha 18 anos, quando foi morta em outubro de 2009. Uma semana antes, Deonésio confessou o assassinato de Thais Lyrio de Andrade, que tinha 19 anos. Ela foi estrangulada no dia 8 deste mês. O corpo da jovem foi achado em uma cova rasa dez dias depois. As duas foram assassinadas após embarcar no Táxi de Deonésio.

Se condenado por dois homicídios qualificados e duas ocultações de cadáveres, o assassino confesso pode ser sentenciado a pena máxima de 66 anos de prisão. Deonésio havia negado envolvimento no sumiço de Tânia, há uma semana, mas acabou admitindo ter assassinado a jovem, em depoimento prestado no final da manhã desta quarta-feira. “Eu menti porque eu não sabia o que fazer. Não sabia se me entregava ou não”, disse o taxista.

Thais Lyrio de Andrade também foi dada como desaparecida, por um período de dez dias. Além do fato de terem praticamente a mesma idade e de serem primas, as vítimas foram mortas da mesma forma, por estrangulamento, de acordo com o titular do Departamento de Polícia Judiciária, (DPJ) de Domingos Martins, delegado Paulo Roberto de Castro Batista.

“Com relação ao assassinato da jovem Tânia, ele (Deonésio) alega que a motivação foi o fato da moça ter ‘armado um assalto’ contra ele”, disse o delegado.

A polícia pretende esclarecer nos próximos dias, a forma exata como Tânia foi morta. Questionado pelo motivo de ter assassinado a jovem há três anos, Deonésio Geik desconversa. “Não sei nem explicar. Já dei minha explicação à polícia… Se eu pudesse eu pediria perdão às famílias das jovens… Não consigo nem explicar como estão as coisas na minha cabeça. Minha vida acabou”, declarou o assassino.

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Na mesma cova

O corpo de Thais Lyrio foi encontrado na tarde da segunda-feira (18) na semana passada escondido em uma cova rasa, na localidade do Sítio São José, na entrada de Alto Rio Fundo, próximo ao trevo de Parajú, em Marechal Floriano. Nesse mesmo local foram encontrados ossos humanos, cerca de 24 horas depois. Um pouco antes desta descoberta, a Polícia Civil recebeu denúncia do desaparecimento de Tânia Rodrigues, que nunca mais foi vista após desembarcar do táxi de Deonésio em 2009.

De acordo com o investigador do DPJ de Domingos Martins, Juarez Xavier, em depoimento, o taxista alegou ter descoberto um suposto assalto armado pela vítima. Ele resolveu matá-la como vingança e escondeu o corpo da moça, na mesma cova rasa usada para ocultar, anos depois, a dona de casa Thais Lyrio.

Ocultação de cadáver

Dois anos após o assassinato de Tânia Rodrigues, o taxista teria retirado os ossos da vítima da cova, próxima ao trevo de Parajú, e os escondeu em outra localidade, na beira de uma estrada vicinal. O assassino, conforme depoimento, deixou parte da ossada para trás, segundo o investigador de Domingos Martins.

“Esse local fica a uns cinco quilômetros do centro de Campinho, em Domingos Martins. Longe do localidade onde, primeiramente, o corpo havia sido escondido. Nós fomos ao local indicado por ele (Deonésio), onde ele alega que deixou o corpo da jovem, mas nesse local não foi encontrado nada até o momento”, explicou Juarez Xavier.

Reconstituição

A polícia fará uma reconstituição do trajeto e de cada momento que envolveu o assassinato de Tânia Rodrigues. Deonésio Geik participará da simulação parcial, sem data definida, até a noite desta quarta-feira, de acordo com delegado Paulo Roberto de Castro Batista.

O responsável pelas investigações frisou que é necessário obter provas materiais, apesar da confissão do taxista. Uma dessas provas é o exame de DNA comprovando que a ossada encontrada pela polícia pertence a Tânia Rodrigues. O material genético da mãe da jovem já foi coletado. Resta ainda a amostra do pai da jovem assassinada. A informação obtida pela Polícia Civil é que este homem reside no Centro-Oeste do País, em Mato Grosso.