Sem-terras deixam fazenda de prefeito morto em acidente aéreo em MG

sequence_02Os ocupantes do assentamento do Movimento dos Sem-Terra (MST) começaram a deixar a fazenda do prefeito Genil da Mata, morto em um acidente aéreo nessa segunda-feira (13) em Tumiritinga. Genil da Mata e um funcionário dele estavam sobrevoando a fazenda, e, segundo os assentados, lançava bombas de coquetel molotov sobre o local. Segundo representantes do movimento, a decisão de deixar a fazenda foi tomada após uma assembleia realizada na manhã desta quinta-feira (16) com o coordenador estadual do movimento, Ênio José Bohnenberger.

Segundo representantes do movimento, a desocupação ocorre de forma pacífica e conta com a presença das polícias civíl e militar. Algumas famílias seguirão para casas de parentes e outras serão encaminhadas para outros assentamentos. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), segundo representantes do movimento, se comprometeu a fazer uma vistoria imediata para encontrar um novo local para as famílias.
O enterro dos corpos do prefeito Genil Mata da Cruz e do funcionário dele, Douglas Silva, estava previsto para as 10 horas desta quinta, mas só ocorreu no início da tarde no cemitério municipal de Central de Minas.
O município, com cerca de sete mil habitantes, parou para acompanhar o velório e o enterro do prefeito e de Douglas Silva. O vice-prefeito Enéias Gonçalves decretou luto oficial de sete dias.

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Entenda o caso
O prefeito de Central de Minas, Genil da Mata, junto com seu funcionário sobrevoava a fazenda de sua propriedade em Tumiritinga. Uma outra aeronave sobrevoava o local, junto com o prefeito. Segundo a Polícia Civil de Valadares, o acidente foi às 17 horas de segunda-feira (13). A outra aeronava deixou o local e os ocupantes só foram localizados e ouvidos na quarta-feira (15).

Destroços do avião.
Destroços do avião.

A fazenda de Genil da Mata foi invadida por 150 famílias do Movimento Sem-Terra no último dia 05 de julho. Segundo os ocupantes, os aviões lançavam bombas de coquetel molotov em cima das barracas.

O advogado da família do prefeito, Siranides Eliotério Gomes, disse que não tinha nenhuma informação dos ataques feitos contra os sem-terra, e que o prefeito sobrevoava o local a pedido dele, para que entrasse com uma ação de desapropriação de terra.

Uma equipe dos Serviços Regionais de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA) do Rio de Janeiro (RJ) chegou ao local no fim da tarde de quarta-feira (15) para investigar as causas do acidente.