Secretário de segurança diz que mantém contato com polícia do Rio para evitar que criminosos fujam para o Espírito Santo

O secretário de Estado da Segurança Pública, Henrique Herkenhoff, disse nesta quarta-feira (16), três dias após a operação militar que tomou a favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, que o Espírito Santo mantém contato com a polícia do Estado vizinho para obter informações sobre a possível fuga de criminosos para cidades capixabas.

O secretário minimizou, no entanto, a possibilidade da atuação de bandidos do Rio no Espírito Santo. “Há sempre esse temor, mas ele é infundado”.

A polícia não realizará operações com barreiras na divisa com o Rio de Janeiro, o que o secretário considera pouco eficiente.

“A principal forma de enfrentarmos algum criminoso que queira se esconder no Espírito Santo é manter contato com a polícia do Rio de Janeiro, o que temos feito. Aqui estamos vigilantes a essa possibilidade para identificar e prender o criminoso. Mas fazer barreiras nas divisas não é muito eficiente se o policial não sabe quem é o bandido. Vai acabar que os policiais vão trabalhar a esmo, abordando veículos sem nenhuma indicação. Para fazer uma abordagem a polícia tem que fazer um levantamento prévio para saber a quem procurar”.

Em novembro do ano passado, no entanto, quando outra ocupação militar similar ocorreu no Complexo do Alemão, ainda no Rio, a segurança foi reforçada nas divisas como Espírito Santo. Mesmo assim, Herkenhoff diz que o número de criminosos do Rio presos em território capixaba na ocasião não foi significativo.

“Houve algumas prisões de criminosos que vieram se instalar no Espírito Santo ou o que é mais frequente: que vieram se esconder ou passar férias. De vez em quando fazemos uma prisão ou outra, mas o que tem chegado para a gente é que o número de criminosos que vem do Rio para cá não é tão grande assim. Isso é uma exceção”.

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UPP

Como já disse em outras ocasiões, o secretário reforçou que no Espírito Santo não deve haver a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), como no Rio de Janeiro. Ele diz que a situação do Estado vizinho é peculiar, com o domínio territorial dos traficantes sobre áreas em que o poder público era impedido de acessar. No Espírito Santo o cenário, de acordo com o secretário, é diferente.

“Não há necessidade de uma operação de guerra como a que tem sido feita lá nem a instalação de um efetivo tão grande. É preciso entender que, se você concentra os policiais em uma única região, acaba desguarnecendo outras. Essa é uma situação muito específica para o Rio de Janeiro, que aqui não se aplicaria e até atrapalharia. A violência no Estado, como um todo, não se reduziria”.

Viaturas paradas

Herkenhoff falou ainda sobre uma nova estratégia de policiamento adotada pela Polícia Militar na Grande Vitória, com viaturas paradas ao invés de rodarem durante a madrugada. De acordo com o secretário os veículos não estão proibidos de circular, mas devem sair apenas se a polícia for acionada. O objetivo, de acordo com ele, é diminuir o tempo de resposta das viaturas às ocorrências.

“Elas ficam paradas em locais estratégicos de onde têm condições de atender as ocorrências de maneira mais rápida ao invés de ficar rodando a esmo sem objetivo. Isso estava aumentando o tempo de resposta. Na hora que a viatura essa acionada ela estava em um local distante, contramão, e isso atrasa o tempo que a viatura leva para atender a ocorrência. Nesses casos, um minuto pode fazer toda a diferença para salvar uma vida. A única finalidade dessa medida, que é experimental, é reduzir o tempo de resposta no atendimento de cada ocorrência”.

A nova estratégia foi adotada há poucos dias, somente na Grande Vitória. Os resultados ainda serão avaliados. O secretário negou que a medida tenha sido adotada para economizar combustível das viaturas.