Reflexão Izaias Antônio Souza: O SISTEMA É MAIS FORTE – EIS A RESPOSTA

526267_2655360242913_641216144_nAquela que sempre foi para mim a grande fonte de estudos acerca do reino dos céus, tornou-se, também, em relevante fonte de estudos sociológicos acerca do comportamento humano no contexto privado e político. Refiro-me ao livro sagrado dos cristãos.

No cotidiano social, o que se observa de regra, são atitudes privadas buscando aconchego junto ao poder como forma de auferir vantagens pessoais que regularmente deveriam ser conferidas à sociedade em geral, assim como atitudes dos detentores de autoridade conferindo privilegios privados e casuísticos que se apresentam convenientes à perpetuação do poder, ou, ao menos, o seu prolongamento no tempo e no espaço.

Nos relatos bíblicos encontramos dois episódios sobremaneira interessantes que demonstram bem a forma como “os reis e os súditos” se entreamarram promiscuamente no afã de perpetuar seus interesses paralelos. Eu disse: interesses paralelos, significando aqueles que se desenvolvem à margem.

Por que Herodes Antipas teria decretado a decaptação de João Batista atendendo ao pedido de Salomé, filha de Herodias, sua mulher? E por que Pilatos teria decidido entragar Jusus à morte, mesmo a despeito do pedido contrário de sua mulher?

Segundo os escritos bíblicos, no aniversário de Antipas, sua enteada Salomé lhe deixou de tal forma empolgado com sua dança, que recebera do mesmo a promessa de lhe atender qualquer pedido, ressalvando apenas a metade de seu reino. Estranho é que, podendo pedir tanto, Salomé fora aconselhada por sua mãe a pedir, na bandeja, a cabeça de João Batista. Incoerente, não?

Continua depois da Publicidade

Powered by WP Bannerize

Como se sabe, João Batista havia demonstrado públicamente o seu repúdio à conduta de Antipas em divorciar-se de sua própria mulher e tomar para si, ilicitamente, sua cunhada Herodias. Este escândado, aliado à popularidade conquistada por João Batista, tornou sua cabeça muito valiosa para Herodias que vislumbrava a hipotese de João Batista promover um levante que custasse, não a metade, mas o reino inteiro de seu ex-cunha, agora marido. Parere que esta não era uma crença de Antipas, pois os relatos dão conta de que se estarreceu com o pedido, mas não poderia negá-lo, ainda que a promessa tenha sido feita em total hebriedade.

Quanto a Pilatos, noticiam os relatos que estava ele sentado no tribunal interrogando Jesus, quando recebeu um recado de sua mulher suplicando-lhe que não se envolvesse no julgamento daquele inocente, porque em sonho teria sofrido muito pela sua causa.

O contexto nos mostra que, mesmo sem o sonho da mulher de Pilatos, a convicção deste era quanto à inocência de Jesus. Apesar de tamanho constrangimento pessoal e moral, Pilatos decidiu contra suas próprias convicções porque sabia que o povo se achava incontrolavelmente incitado contra Jesus, e contrariar o povo seria demasiadamente arriscado ao seu governo.

Como se vê nos exemplos postos acima, nem sempre são por livre vontade ou convicção própria que os poderosos se envolvem nas ilegalidades, injustiças e promiscuidades. Não raras vezes são tangidos por um sistema de forças superiores, vinculadas às vaidades e ganâncias de governantes e governados, tornando inevitável o entrelaçamento de corruptos e corruptores na construção de um sistema que parece humanamente indestrutível.

Se este raciocínio está correto quanto a tudo que ocorreu no passado e ocorre no presente, não me parece razoável crer que mudanças ocorram no futuro.