“Que mal esse homem fez às pessoas?”

Brasília

Familiares do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acompanharam ontem na Justiça Federal em Goiânia a audiência das testemunhas de acusação do processo referente à Operação Monte Carlo, na qual o contraventor foi preso no fim de fevereiro.

A mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, foi a primeira a chegar. O pai dele, Sebastião Ramos, o Tião Cachoeira, chegou logo depois.

Logo na entrada, Andressa falou poucas palavras. “Estou ansiosa”. Mais tarde, ela deu uma rápida entrevista e voltou a afirmar que o marido é um “preso político”.

“Que mal esse homem fez ao Estado, à União, às pessoas? Ele é uma pessoa maravilhosa, que só ajuda as pessoas”, argumentou.

Andressa obteve autorização do juiz Alderico Rocha, da 11ª Vara da Justiça Federal em Goiânia, para um encontro de cinco minutos com o marido em uma sala do prédio.

Na saída, Andressa Mendonça disse que o marido está melhor. Na segunda-feira, ela havia informado que ele está em tratamento psiquiátrico. “Foi um encontro de cinco minutos. Foi muito bom. Ele está bem. Bem melhor agora”, falou.

“É um Cristo”

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Cercado por jornalistas, Tião também defendeu o filho e falou que a Operação Monte Carlo é política. Perguntado se acreditava na inocência de Cachoeira, ele afirmou: “Inocência?! Ele é um Cristo. Vive sofrendo na mão desse povo, assim como Cristo na cruz”.

Segundo Tião, Cachoeira não é bicheiro e nunca esteve envolvido com jogo. “Eu sei disso porque sou o pai dele. Eu o conheço e dei tudo o que ele tem”, declarou.

O Ministério Público Federal acredita que Carlinhos Cachoeira seja condenado a mais de 20 anos de prisão, e que isso aconteça até o final de agosto.

Propina era “assistência social”

Agentes da Polícia Federal afirmaram ontem, durante audiência do processo contra o grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que a suposta quadrilha usava o termo “assistência social” para tratar de propinas pagas a servidores públicos.

“(O termo) assistência social era citado constantemente nos áudios, e depois constatamos que se tratava de propina paga aos servidores públicos”, disse o policial Fábio Alvarez Shor, primeiro a depor.

Ele também afirmou que o agente federal Wilton Tapajós foi abordado por policiais militares durante a Operação Monte Carlo, que prendeu o bicheiro. Tapajós foi assassinado na semana passada com dois tiros na cabeça. As investigações ainda não estabeleceram relação entre sua morte e a Monte Carlo.

A testemunha afirmou que Tapajós foi abordado por PMs investigados durante missões que fazia para a operação. “Ele foi abordado por policiais militares e teve que utilizar histórias de cobertura para não ser identificado”, afirmou.