Protesto marca a última sessão da Câmara de Cachoeiro

A última sessão do ano da Câmara de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, aconteceu na tarde desta terça-feira (20), e foi marcada pelo silêncio dos vereadores em relação ao aumento dos salários para 2013, em 67% – aprovado na semana passada -, e por manifestação e revolta popular. Com o plenário completamente lotado, os parlamentares se limitaram a seguir a pauta, que previa apenas a votação do orçamento da Prefeitura.

O projeto do Executivo, determinando de que forma serão as contas da prefeitura, foi aprovado por unanimidade, em uma sessão que durou pouco mais de uma hora. Mas o que a população esperava ouvir não foi dito por nenhum dos parlamentares. Apenas o vereador Leonardo Pacheco (PT) tentou se manifestar, mas foi impedido. “Eu gostaria de pedir a anulação daquela votação, da qual não participei”, afirmou.

Encerrada a sessão, os presentes se mantiveram de costas para a bancada de vereadores, como forma de protesto. Em seguida, gritos de “vergonha” e “corruptos” expressaram a revolta dos manifestantes. “Nós derrubamos até presidente, porque não podemos derrubar vereadores. A eleição é ano que vem, e acho que eles estão se esquecendo disso”, disse a autônoma Nivânia Pacheco.

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O vereador Fábio Mendes Glória (PMDB), autor da emenda, questionou a postura do colega petista, que afirmou desconhecer a proposta dele, modificando o projeto inicial da Mesa Diretora, que elevaria o salário para R$ 7 mil. “Não podemos permitir que nenhum vereador afirme não ter conhecimento da matéria aqui votada. Ele foi discutida amplamente e ele mesmo assinou o parecer”, disse.

Câmara terá que cortar gastos

Entre as despesas destacadas no orçamento da Prefeitura para o ano que vem, consta o valor a ser destinado para a Câmara Municipal: 6% do arrecadado, que hoje corresponde a pouco mais de R$ 8,4 milhões. O valor mantém a Casa com 13 vereadores – e mais cinco assessores para cada parlamentar-, além dos 32 funcionários em cargos comissionados.

Com a aprovação do projeto e o orçamento, possivelmente, não muito diferente do atual, a Câmara Municipal deverá realizar cortes para receber mais seis vereadores e pagar aos 19 salários de R$ 10 mil. O presidente da Câmara, Júlio Ferrari (PV), disse que a Casa deverá ser reestruturada. “Vamos nos adequar. Cortar em despesas, em cargos comissionados. Tudo isso vai ser discutido e votado no ano que vem”, explicou.