Produtores rurais encontram oito macacos mortos em Pancas

Marcelo Formentini, veterinário da Secretaria Municipal de Saúde de Pancas, orientou que se alguém avistar algum macaco morto, não deve chegar perto

Na propriedade de Denicia Kipert, 58 anos, em Córrego do Espinho, interior de Pancas, região Noroeste do Estado, foram encontrados sete macacos da espécie Barbados (Bugio) mortos. “A gente fica preocupada porque é a primeira vez que a gente vê macaco morrendo. Antes, dava para ver eles vindo comer manga e jaca. Aqui na mata tem muito mosquito e a gente tem medo de eles picarem e passarem a doença porque moramos perto”, conta.
O último número de macacos mortos no Espírito Santo confirmado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) foi 80. No entanto, nesta terça-feira (17), a Sesa informou em coletiva nesta tarde que não divulgará mais o número de notificações de mortes de macacos em terras capixabas.
Quando encontrou os macacos, na sexta-feira (13), Denicia ligou para a Vigilância Sanitária. “Liguei para avisar que achamos 7 macacos mortos. A equipe veio, retirou a cabeça, o fígado e o baço do macaco para levar para a análise. O resto foi enterrado aqui mesmo.”, disse.
O produtor Marcos Jacob encontrou 1 macaco morto em sua propriedade

Na propriedade vizinha, do lavrador Marcos Jacob, 41 anos, um macaco foi encontrado morto. “Eu estava trabalhando na lavoura de café na sexta-feira (13), quando senti um cheiro forte vindo aqui da mata. Quando fui ver o que era, encontrei um macaco morto. Fiquei sabendo também que tinham mais macacos mortos na região e que estavam com suspeita de febre amarela”, contou.

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Marcos também disse que a família está receosa. “Nunca presenciamos essa doença aqui antes. Estamos com medo e não sabemos o que fazer. A gente fica triste também porque os macacos são símbolos das nossas matas. Costumávamos ver uns dois bandos com 10 a 12 macacos em cada um passando por aqui e agora não vemos mais”, explicou.
A cidade de Pancas, região Noroeste do Estado, faz limite com Resplendor, região mineira do Vale do Rio Doce, que também apresenta casos suspeitos de febre amarela.
POSTOS SEM VACINA EM PANCAS
O casal Renato Soares de Almeida, 71 anos, e Maria José Cunha está com viagem marcada para Teófilo Otoni, em Minas Gerais, e foi até o Posto de Saúde da cidade para tomar a vacina.
“Tomei uma dose há um tempo atrás e venceu. Agora preciso do reforço para ficar imunizado. Ontem fui em Colatina, mas disseram que não tinha. Aqui também acabou”, contou Renato.
“A gente fica com medo por causa da suspeita de febre amarela e viemos aqui em busca da vacina, mas não encontramos também”, afirma Maria.
Foto: Brunela AlvesLuciane foi ao Posto de Saúde, mas não encontrou vacina de febre amarela

A auxiliar de consultório dentário Luciane Rodrigues, 31 anos, também procurou a Unidade de Saúde de Pancas, mas foi informada de que o estoque já havia acabado.“Falaram que acabou por hoje e só vai chegar na terça-feira da semana que vem. Voltarei depois então para tomar”, disse.

O Secretário de Saúde de Pancas, Juarez Mendonça Júnior, informou que as doses da vacina de febre amarela acabaram nos postos de saúde da cidade. “Estamos esperando chegar as doses para trazer para o município. A previsão é de que a partir de terça-feira (24) as vacinas já estejam disponíveis para a população. Vamos fazer um programa de vacinação itinerante para atender todos os moradores de Pancas, além de distribuir nas 8 Unidades de Saúde”.
ORIENTAÇÃO PARA QUEM ENCONTRAR MACACOS MORTOS
Marcelo Formentini, veterinário da Secretaria Municipal de Saúde de Pancas, orientou que se alguém avistar algum macaco morto, não deve chegar perto. “Nós pedimos para que a população não se aproxime ou tente mexer no animal. É preciso ligar imediatamente para a Vigilância Ambiental ou a Secretaria de Saúde do município. Nós vamos até o local para fazer a notificação e coletar o material para análise”.
No caso dos macacos encontrados em Pancas, Marcelo informou que foram levados para análise no Instituto Evandro Chagas, no Pará, a cabeça do animal, para verificar se há a presença de vírus da raiva, além de fígado e baço, para verificar possíveis lesões características do vírus de febre amarela.

Fonte: Gazeta Online