Parlamentares correm para aprovar reajustes dos próprios salários

Fim de ano agitado nas câmaras e assembléias legislativas por todo o país. São parlamentares correndo para aprovar aumento… Para eles mesmos. A população não gostou nada da ideia. Natal chegando e muita gente com sonhos de ganhar um presentão do chefe: um aumento de salário.

Mas a realidade é bem mais modesta. “nos três últimos anos o meu salário continua igual”, conta uma mulher. Já os parlamentares não são nada modestos quando decidem pedir aumento para eles próprios. E depois são eles também que votam pelo próprio reajuste.

Em campinas, os vereadores aprovaram 126% de aumento. O salário de R$ 6 mil vai para R$ 15 mil a partir de 2013. A população se revoltou. “A população não esta informada que 126% é um índice aplicado por 17 anos, não por um ano”, justifica o presidente da Câmara, Pedro Serafim.

Também teve protesto em Uberlândia por causa do reajuste de 54% por cento dos vereadores, de R$ 9.755 para R$ 15.031. O prefeito, secretários e vereadores de Maringá, no Paraná, vão ganhar mais. Para os vereadores o salário vai passar de seis para R$ 12 mil.

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E por todo o país, nesse finzinho de ano, só engrossa a lista de quem ocupa cargos públicos com um salário maior. Em Porto Alegre, aumento para servidores do judiciário, do tribunal de contas, do ministério público e assembléia legislativa.

E tem aqueles que pegam carona no aumento dos outros. Se os ministros do Supremo ganham reajuste, os deputados estaduais do Paraná também recebem mais, automaticamente.

Em São Paulo, os vereadores aprovaram reajuste do salário dos subprefeitos, que pode triplicar no ano que vem. Hoje, eles ganham R$ 6.500 e poderão receber R$ 19.200. Falta agora a sanção do prefeito, que é o autor do projeto.

Todos esses aumentos são muito maiores do que a inflação dos últimos doze meses, que fechou em menos de sete por cento.

“Dar um aumento desses significa que você vai tirar dinheiro de algum lugar. Não teria problema algum se as nossas crianças estivessem na escola, tivéssemos segurança com tranquilidade, não tivéssemos problema de falta de leitos hospitalares, etc. Mas isso não é a realidade da enorme maioria das cidades do Brasil” diz Fábio Gallo, o professor de finanças da FGV.

Em arcos, Minas Gerais, a pressão da população deu resultado. Em setembro os vereadores aprovaram aumento de salário mais de 40%. Os moradores se mobilizaram e conseguiram que a lei fosse revogada.