Oposição acusa ministro de mentir à Câmara ao negar elo com dono de ONG

O titular da pasta do Trabalho, Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT, teve sua situação política agravada ontem e pode deixar o cargo antes mesmo da reforma ministerial prevista para ocorrer no início do próximo ano.

Reportagem publicada pela revista Veja deste fim de semana afirma que Lupi viajou pelo interior do Maranhão a bordo de uma aeronave agenciada por Adair Meira, dirigente da Pró-Cerrado. Em audiência no Congresso na última quinta-feira, Lupi negou relação com Meira: ‘Eu não tenho relação nenhuma com seu Adair’, disse ele, em depoimento aos deputados. Até ontem à noite, a assessoria da pasta não havia negado que Lupi viajara ao lado de Meira (leia texto nesta página).

Segundo a revista, Lupi e uma equipe do ministério, incluindo o ex-secretário de Políticas Públicas de Emprego, Ezequiel Nascimento, e Meira, teriam passado, em viagem oficial, por sete cidades do Maranhão em dezembro de 2009 para o lançamento de um programa de qualificação profissional no estado.

Ontem, o Planalto tentou demonstrar tranquilidade em mais um capítulo da crise envolvendo o ministro, que declarara publicamente que só sairia do cargo ‘à bala’. Oficialmente, a assessoria do Planalto disse que ‘o assunto não estava sendo tratado’ no âmbito na Presidência da República. ‘Essa operação-abafa do governo não deu certo porque ele não saiu do foco’, disse o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), ao anunciar um plantão das oposições em Brasília já partir do dia 15, para pedir a saída de Lupi do cargo.

‘O feriado não paralisará a oposição e ninguém pode se manter no ministério à custa de uma declaração de amor à presidente Dilma, porque o governo é dela e ela será cobrada por isso’, afirmou o deputado.

Na nota oficial divulgada ontem em resposta à Veja, o ministro diz que foi o PDT do Maranhão quem providenciou o avião, mas não contestou a presença de Adair em sua comitiva.

Continua depois da Publicidade

Powered by WP Bannerize

O deputado Antônio Reguffe (PDT-DF) avalia que as denúncias são ‘gravíssimas’ e precisam ser investigadas a fundo, ‘doa a quem doer’. Reguffe lembra que, desde o início da crise, tem defendido o afastamento do ministro durante a apuração do caso. ‘Esta seria a melhor solução para ele, para o PDT, para o governo e para o Brasil’, disse.

‘Se ele mentiu à Câmara, faltou com o respeito, com o decoro, e ainda incorreu em crime de responsabilidade’, adverte o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), para quem a situação ‘extrapolou a política e já virou caso de cadeia’. O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira, acredita que, nesse ritmo, a sucessão de denúncias provocará pressão crescente da sociedade pela demissão de Lupi: ‘Agora achamos que será obrigado a deixar o ministério porque está ficando claro que o ministro é o problema’.

O líder tucano era um dos presentes à Comissão de Fiscalização, quando o deputado Mendonça Filho (DEM-PE) questionou o ministro sobre o uso do avião de um dos dirigentes da Fundação Pró-Cerrado, fato que o parlamentar considerava grave. Lupi informou que desconhecia o dirigente da entidade e que nunca usara o jatinho dele. ‘Não tenho relação pessoal com o seu Adair. Não sei onde ele mora e nunca andei em avião dele. Já andei em aviões que o PDT alugou para eventos da legenda. Todos são contabilizados e as contas prestadas.’ Segundo a revista, meses depois de Adair viajar com Lupi, ainda em 2009, as ONGs dele ganharam um contrato com o Ministério.

O único líder da base governista a defender Lupi foi Cândido Vaccarezza (PT-SP). ‘Não tenho conhecimento dos fatos, mas tenho o ministro na conta de um homem sério e acredito na versão dele à Câmara’, disse.