Operação desarticula quadrilhas especializadas em fraudar vestibulares de Medicina

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (12) a Operação Calouro, com o objetivo de desarticular organizações criminosas especializadas em fraudar vestibulares de entidades de ensino superior de Medicina em todo o Brasil.

No total estão sendo cumpridos 70 mandados de prisão e 73 mandados de busca, expedidos pela Vara Especial de Central de Inquéritos de Vitória. Para realizar a operação, estão sendo empregados mais de 290 policiais federais no Espírito Santo e em outros 9 Estados, além do Distrito Federal.

No Espírito Santo, duas pessoas foram presas. Segundo o delegado da Polícia Federal no Estado, Leonardo Damasceno, elas agiam como corretores e tinham como função captar alunos para participarem do esquema.

Ainda de acordo com o delegado, foram detectadas sete quadrilhas, que atuavam em faculdades particulares em todo o país, especialmente na Região Sudeste. Segundo ele, o esquema era muito bem estruturado e contava com a participação de pessoas responsáveis por produzir gabaritos, fazer as provas no lugar dos candidatos, treiná-los para utilizar equipamentos eletrônicos e outros meios fruadulentos durante os testes e captar estudantes para participar do esquema.

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De acordo com Damasceno, médicos e estudantes de medicina integravam a quadrilha, em funções como líderes, corretores, entre outras. O delegado frisou que alguns membros das organizações já haviam sido presos pelo mesmo crime, em outras ocasiões, mas continuaram praticando os atos ilícitos pela lucratividade que eles proporcionam. Segundo ele, era possível lucrar até R$ 500 mil por vestibular.

Além de formação de quadrilha, os acusados responderão pelos crimes de falsidade documental, falsidade ideológica, fraude em vestibulares e, em alguns casos, por lavagem de dinheiro. Leonardo Damasceno explica que candidatos que participaram do esquema não estão entre os detidos na operação por não terem vínculos com as quadrilhas, mas responderão criminalmente perante a Justiça.

A investigação

As investigações da polícia duraram cerca de um ano e meio. De acordo com a Polícia Federal, nesse período, foi possível formar um panorama bastante completo sobre as fraudes em vestibulares de Medicina em todo o território nacional e sobre os grupos criminosos que realizam esta atividade.

Segundo as investigações, trata-se de organizações altamente especializadas, lucrativas, organizadas e disseminadas. Elas agiriam por meio de diversos métodos clandestinos para atingirem o objetivo de fraudarem os vestibulares, seja por meio de documentos falsos e substituição do aluno durante as provas, seja por meio da produção de um gabarito e sua difusão não autorizada e clandestina por algum meio eletrônico aos alunos.