Não será na minha administração que vão encontrar desvio de conduta”, diz Coser

O prefeito de Vitória, João Coser (PT), falou pela primeira vez  sobre a ação de improbidade administrativa a que responde no processo de desapropriação de um terreno para a construção da Ponte da Passagem. Recentemente ele teve os bens bloqueados em uma decisão da Justiça.

Durante a Plenária Municipal do PT de Vitória, ocorrida neste sábado (03), Coser afirmou que apesar de não ter conhecimento jurídico específico para comentar o caso, entende que todo o processo de desapropriação que vem sendo questionado na justiça pelo Ministério Público e pela União tem legitimidade. Em suas declarações o prefeito sai em defesa de sua equipe técnica e também de sua integridade política.

A população de Vitória me conhece. Tenho 30 anos na política. Podem olhar minha vida, minha família e meus irmãos todos. Podem ter a certeza, os processos têm legitimidade. Não tem nenhum risco de ter coisa errada na prefeitura nesses processos porque eu confio na nossa equipe. Não faço, mas confio nas pessoas que estão fazendo. As outras coisas o tempo vai resolver. Eu estou de cabeça erguida, fé em Deus, consciência tranquila e tenho certeza que vamos deixar uma marca extraordinária do ponto de vista administrativo e das realizações sociais. Deixando uma cidade muito melhor e também do ponto de vista ético. Não será na administração de João Coser, em Vitória, que eles vão encontrar qualquer desvio de conduta”, disse o prefeito.

João Coser salientou também que confia na justiça brasileira e que vai aguardar a decisão final. “Um procurador do Ministério Público entendeu que uma propriedade que estava com escritura, com registro em cartório, com registro no SPU, inclusive com IPTU pago e todos os impostos por mais de 20 anos, não tinha legitimidade no nome daquele proprietário. Isso é um problema de debate jurídico, nós temos convicção que o terreno tinha todos os documentos para ser desapropriado. Com pareceres do colegiado e por unanimidade”, defendeu.

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Durante a Plenária do PT de Vitória, o dirigente municipal do partido, Cláudio Merçon, também mencionou o episódio da desapropriação e aproveitou a ocasião para defender o prefeito das acusações de improbidade. Merçom afirmou que o partido está ao lado de Coser, do procurador-geral do município, Jader Guimarães, e do ex-secretário de Obras, Silvio Ramos, que também tiveram os bens bloqueados.

“Nós temos certeza absoluta que isso não passa de perseguição política e que logo logo vai ficar esclarecido para nossa militância e para nós”, disse Merçon.

Entenda o caso

A Justiça Federal determinou no início de novembro deste ano o bloqueio dos bens do prefeito de Vitória, João Coser (PT), e de mais cinco pessoas, no valor de R$ 8,2 milhões, em ação por improbidade administrativa que apura irregularidades na desapropriação de uma área de 10,2 mil m2 em Andorinhas, próxima à Ponte da Passagem. A prefeitura pagou R$ 7 milhões por terreno que seria dela, mas foi cedido de graça a um comerciante, em 1988.

A decisão foi da juíza da 5ª Vara Federal Cível de Vitória, Maria Cláudia Allemand, e atingiu ainda o procurador-geral de Vitória, Jader Guimarães; o ex-secretário de Obras Silvio Ramos; o comerciante Eduardo Siepierski; a ex-mulher dele; e o pai e procurador dele, o empresário Jan Siepierski Filho.

A desapropriação foi questionada pelo Ministério Público Estadual e tem a participação da União. O processo tramita sob sigilo, por determinação da justiça. Um dos pontos questionados seria o valor do negócio, que inicialmente avaliado em R$ 4 milhões, teria sido fechado em R$ 7 milhões. A União e o MPES entendem que a prefeitura não deveria ter desembolsado nada pelo terreno, pois ela já seria do município.

O empresário Jan Siepierski Filho ouvido pelo jornal A Gazeta, negou irregularidade na desapropriação da área e afirmou que ela já era do seu filho, o comerciante Eduardo Siepierski, antes da transferência feita pela prefeitura, em 1988.