Mulher queimada: estudante é interrogado pela Justiça e reafirma que foi acidente

Continua em liberdade o estudante de 16 anos acusado de atear fogo no corpo de uma moradora de rua em Linhares no último dia 15. Ele foi liberado nessa quarta-feira (28) após ser ouvido na primeira audiência promovida pela Vara da Infância e Juventude.

O menor compareceu no Fórum de Linhares em companhia do pai, Antônio Tólula e do advogado Luiz Alves Machado. Em um interrogatório que durou cerca de duas horas, ele alegou que não teve a intenção de atear fogo no corpo da mulher, Marinalva da Silva Alves, de 56, que morreu dois dias depois no Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Dório Silva, na Serra.

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De acordo com argumento apresentado pelo advogado, a tragédia teria sido provocada por um ato inconsequente do menor que, na verdade, teria ateado fogo em um colchão que, segundo ele, estava distante cerca de dois metros do local onde a mulher dormia, em um ginásio abandonado no bairro Aviso, ponto de concentração de moradores de rua. Ele disse ainda que a intenção do estudante era de exterminar percevejos que infestavam o local.

“O fato aconteceu por volta das 21h40min e só pela manhã a mulher teve o corpo queimado”, argumentou Luiz Alves Machado, sugerindo que, provavelmente, Maria, que estava embriagada e dormindo em outro colchão, teria rolado até a área queimada.
O menor, conforme o advogado, também negou dias antes tivesse tentado cometer o mesmo crime, conforme declaração divulgada pelo chefe do Departamento de Polícia Judiciária (DPJ), delegado Fabrício Lucindo.

A nora da vítima, Jocilene Santana, reagiu com indignação ao tomar conhecimento do teor do depoimento do menor. Segundo ela, outro morador de rua que estava no local chegou a tentar impedir o estudante de atear fogo no colchão, não conseguindo convencê- lo.

Uma nova audiência foi marcada para o dia 9 de abril. Desta vez, a Justiça irá ouvir as testemunhas de acusação.

Maria era moradora de rua a cerca de 10 anos. Alcoólatra, conforme familiares que residem no mesmo bairro, ela se recusava a retornar para casa, apesar dos esforços da família e também do serviço de assistência social do município.