Menino fica com espetinho de churrasco dentro do pé por 17 dias em Guarapari

Uma brincadeira de criança, na Praia do Morro, em Guarapari, virou um tormento na vida do estudante Isaac Koniczna Rios, de nove anos, e dos pais dele Reginaldo Rios, de 33 anos, e Sara Koniczna Rios, de 29. No dia 27 de janeiro o garoto jogava futebol nas areias da praia quando, ao tentar chutar a bola, acabou chutando um espetinho de churrasquinho que estava enterrado na areia.

O pedaço de madeira de aproximadamente sete centímetros entrou no pé esquerdo do menino e ficou alojado entre o dedão e o dedo seguinte. Começava ali uma agonia de 17 dias e que só foi solucionada apenas nessa segunda-feira (13).

Imediatamente após constatar o ferimento no filho, o pai dele, que trabalha como vigilante noturno, levou-o ao Hospital São Pedro, no mesmo município, para que Isaac recebesse cuidados médicos. Ao dar entrada no pronto-socorro, o jovem foi atendido pelo plantonista, que de acordo com o pai, não constatou que havia um graveto de madeira dentro do pé do menino.

“Até aquele momento nós não tínhamos notado que a situação do Isaac era tão grave. Quando o vi, pensei que era apenas um machucado comum em qualquer criança. O médico que o atendeu cuidou dele, limpou o local e receitou um medicamento para passar na área ferida. Eu e minha esposa achamos que o ferimento melhoraria depois dos cuidados que nosso filho recebeu no hospital, mas na verdade ocorreu o contrário”, contou o pai.

Nova consulta

No sábado (28), dia seguinte ao incidente na praia, Isaac voltou a se queixar com os pais de dor no local machucado e já não conseguia apoiar o pé no chão e caminhava com dificuldades. No domingo a situação se agravou. Foi quando os familiares decidiram levá-lo novamente ao hospital na segunda-feira (30).

“Desta vez um pediatra atendeu nosso filho. O médico olhou, receitou um antibiótico, mas também não constatou que havia um espeto de bambu no pé do menino. Ele disse, ainda, que em dez dias após o tratamento com o remédio receitado o Isaac estaria curado e poderia inclusive voltar às aulas normalmente”, explicou Reginaldo.

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Entretanto, no dia 08 de fevereiro, o ferimento estava pior. O pé esquerdo do garoto inchou, inflamou e havia muita secreção no local ferido. De acordo com os familiares, Isaac já não andava por conta da dor. Com receio de que algo ruim acontecesse, o vigilante levou o filho novamente ao pediatra. “O especialista notou que o ferimento não havia curado, mas voltou a dizer que o remédio ainda faria efeito. Pedi a ele que fizesse uma drenagem do local, mas o médico preferiu encaminhar o caso para um ortopedista”, argumentou o pai do menino.

A descoberta da “farpa”

foto: Arquivo Pessoal
Pedaço de espeto de bambu de 7 centímetros ficou alojado por 17 dias no pé de Isaac
Pedaço de espetinho de bambu de 7 cm ficou por 17 dias dentro do pé de Isaac

Isaac foi então encaminhado para o terceiro médico e nenhum deles havia constatado a presença do espeto de churrasco no pé do garoto. O ortopedista passou um medicamento e fez vários curativos. Segundo Reginaldo, o especialista pediu que voltassem na segunda-feira (13) para uma nova consulta.

“Pela manhã fomos até o hospital e enquanto examinava detalhadamente o local ferido, o médico notou uma farpinha de madeira no machucado. Com uma tesoura cirúrgica ele foi tirar a farpa, mas acabou retirando um graveto de sete centímetros de dentro do meu filho, que já não aguentava mais de dor. Na hora em que vimos aquela cena não acreditamos. Fiquei transtornado com tamanho descaso por parte dos profissionais do hospital envolvidos nos procedimentos médicos do Isaac. Como pode uma criança ficar 17 dias com um espeto dentro do pé e nenhum médico pediu sequer um exame de raio-x”, questionou o pai.

Inconformado com o que havia acabado de ver, Reginaldo explicou que na hora nem soube como reagir e não procurou a direção do Hospital São Pedro para explicações. “Considero isso que ocorreu com meu filho como um caso de negligência. Imagine se ocorresse algo mais grave com meu filho. Pior que eles (médicos), só os responsáveis por jogar espetos de churrasco nas areias da Praia do Morro, indagou o vigilante.

Ao tomar conhecimento do caso, a reportagem do Canal Cidadão Repórter entrou em contato com à Gerência do Hospital São Pedro ainda na terça-feira (14), mas obteve apenas uma promessa de resposta para esta quarta-feira. Entretanto, mesmo após novas ligações por parte da reportagem, não houve qualquer tipo de posicionamento por parte do hospital.