Marcha exige medidas anticorrupção no país

A Marcha Contra a Corrupção levou cerca de 150 pessoas às ruas de Vila Velha nesta quarta-feira (12). Os manifestantes chamavam a atenção para medidas anticorrupção, como o fim do voto secreto e do foro privilegiado para parlamentares. Divulgado por meio das redes sociais, o protesto reuniu de estudantes a aposentados. Uma das preocupações dos organizadores foi não utilizar bandeiras e símbolos de partidos políticos.

O estudante Guilherme Gouveia, 17 anos, diz que o movimento é suprapartidário. Ele ressalta ainda os objetivos da manifestação. “Nós queremos que o Congresso Nacional adote o voto aberto para sabermos como os nossos parlamentares estão votando; que a corrupção seja considerada crime hediondo; queremos o fim do foro privilegiado, para que os políticos possam ser julgados não apenas pelas instâncias superiores. Mas a principal causa é o projeto ‘políticos sem sigilo’, para que possamos quebrar o sigilo fiscal e bancário dos políticos e saber se eles estão cometendo crimes como peculato*“.

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A filha do ex-prefeito de São Gabriel da Palha Anastácio Cassaro e presidente do movimento Justiça Brasil, Sandra Cassaro, também decidiu participar. “Meu pai era um ferrenho lutador contra a corrupção. Hoje lutamos contra a violência e pela revisão das leis penais, mas está tudo englobado porque já que a luta é contra a corrupção, nós precisamos de legisladores honestos e dignos. Temos que moralizar o Brasil. Com isso, acabando com essa politicagem corrupta e absurda, é que nós vamos acabar com a violência e a impunidade que assolam as famílias brasileiras”. Anastácio Cassaro foi assassinado em 1986. O julgamento dos acusados do crime ocorreu somente em 2011.
O representante da ONG Transparência Capixaba, Edmar Camata, uniu-se ao protesto e avalia que a resposta das ruas é um sinal que deve ser observado pelos políticos. “É uma resposta clara da sociedade de que não precisa que um ato seja ilegal para que seja reprovável. Um ato pode ser puramente imoral, como diariamente vemos os políticos a pegar avião emprestado com empresário, a gastar R$ 70 mil com telefonia, do dinheiro do contribuinte, ou a indicar o irmão para um alto cargo na administração pública. São atos reprováveis, mas os políticos alegam que não são ilegais. A resposta da sociedade é: existe um padrão ético a ser preservado”.

O protesto saiu das imediações do Clube Libanês, na Praia da Costa, e seguiu a até a orla de Itaparica. A Marcha Contra a Corrupção foi realizada em 18 cidades brasileiras neste feriado de Nossa Senhora Aparecida.

O Peculato é um dos tipos penais próprios de funcionário público contra a administração em geral, isto é, só pode ser praticado por servidor público, embora admita participação de terceiros. Os verbos núcleos do tipo são “apropriar ou desviar” valores, bens móveis, que o funcionário tem posse justamente em razão do cargo/função que exerce.

fonte-gazetaonline