Mantenópolis ES vem perdendo sua identidade social em termos de natalidade

hqdefaultMantenópolis ES é uma cidade que ao longo dos tempos vem perdendo sua identidade social em termos de natalidade, cujas informações predominantes dos nascimentos de filhos de moradores deste município são carreadas para outras unidades de saúde fora de nosso território municipal.

Por se tratar de uma cidade fronteiriça com cidades mineiras dotadas de unidades hospitalares aptas para fazer procedimentos de parto e cesariana, os filhos de pais residentes em Mantenópolis mas nascidos em outras cidades acabam também sendo registrados como oriundos daqueles municípios, o que para os moradores de Mantenópolis consiste não somente em prejuízo no volume estatístico de natalidade, como também fere o direito soberano ao negar ou omitir o direito dos pequenos cidadãos de terem sua identidade cultural com a cidade na qual foram gerados, e cortando o cordão umbilical que alimenta estas informações tão importantes e necessárias para a sucessão demográfica e sociocultural, estabelecendo-se assim uma geração de capixabas de Minas Gerais, ou Colatinenses de Mantenópolis, e vice versa.

Em recente entrevista feita pela redação da transasom FM de Mantenópolis, pôde-se constatar que a proporção de nascimentos nesta condição é alarmante e requer uma atenção especial de nossas autoridades municipais das áreas de atendimento público de saúde.. Nesta pesquisa feita com alguns moradores deste município, praticamente 90% saíram de seu domicílio em busca de atendimento a gestantes em trabalho de parto e/ou a serem submetidas a cirurgias cesarianas, tendo na sequência seus filhos nascidos e automaticamente registrados na cidade do atendimento, e depois de receberem alta, voltaram para Mantenópolis com uma criança cujo ventre gerou um capixaba mantenopolitano e deu à luz a um colatinense, mantenense, etc.

Algumas maternidades contam com postos de registro civil dentro das próprias unidades de atendimento, prática esta aliás estimulada e permitida por lei, que visa garantir que os pais já saiam dos hospitais com suas crianças devidamente registradas. O ministério da saúde oferece a esses hospitais uma compensação financeira por cada criança que é registrada antes que a parturiente deixe a unidade. A questão é portanto crítica, de uma lado esse aparente conforto e essa suposta praticidade gera para o município de origem dos pais, e onde a criança seguirá sua vida após o nascimento, um visível prejuízo de cunho social, já que além de outras vantagens na incorporação de informações dadas por estes hospitais aos relatórios estatísticos e prestações de contas, promove a injusta desvantagem considerando que, sem nenhuma informação de natalidade, ou muito pouca informação de registros civis, a comunidade fica enfraquecida e desassistida por não figurar nos índices que determinam número de nascimentos, afastando o município de benefícios sociais dos governos estaduais ou federais, bem como programas assistenciais de apoio financeiro tanto às unidades que declaram os partos efetuados em suas unidades quanto aos pais que se enquadram na linha de necessidades suplementares para que possam criar seus filhos com a justa e devida dignidade.

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O que muitos pais não sabem é que, logo após o nascimento, eles tem a autonomia, o direito e a liberdade de registrar seus filhos onde foram gerados, e onde irão prosseguir com sua infância ou onde seus pais residem. Esta conscientização é importante, exigir que mesmo seu filho nascendo em Mantena, Barra de São Francisco, Colatina, por exemplo, pelo fato da cidade de Mantenópolis não contar com estrutura para procedimentos de partos ou cesarianas, as crianças sigam sendo registradas como mantenopolitanas e em consequência não percam esse direito de ter reconhecida a sua real origem.

Especificamente em Mantenópolis, uma cidade teoricamente emancipada, mas que na prática, assim como há décadas continua dependente diretamente das cidades circunvizinhas, principalmente na questão de atendimento à saúde pública, os recentes episódios que culminaram no fechamento do hospital e maternidade N.Sra das Dores vem na contramão do necessário desenvolvimento do município, tirando qualquer oportunidade de figurar nas estatísticas de natalidade com os constantes encaminhamentos à hospitais de outros municípios para submeterem-se aos procedimentos de partos e cesarianas.

Perde-se na prática o crédito estatísticos destes índices de natalidade, e distanciando qualquer possibilidade de participação nas fatias orçamentárias dos benefícios sociais que levam em consideração o número de nascimentos registrados a cada mês. Os hospitais hospedeiros portanto, ganham três vezes, uma com a venda dos serviços de atendimento a serem ressarcidos pelo SUS, outra pela compensação paga pelo Ministério da Saúde por cada registro civil de nascimento nestas unidades, e por fim com a somatória dos índices mensais de nascimento nesta unidade, e neste município.

Os prejuízos da comunidade em não ter um hospital não são unicamente no aspecto do desconforto de ter que se deslocar de sua cidade em busca de atendimento, consistindo muitas vezes em despesas extras que obviamente não serão ressarcidas nem pelo SUS e nem pela previdência social na questão de locomoção, mas também com gastos extras com estadias, pera dos créditos estatísticos de natalidade para outros municípios e o direito soberano dos filhos de terem sua identidade social vinculada à terra onde foram gerados, onde seus pais moram e onde o seu histórico familiar foi escrito.

Fonte : A redação sitemantenópolis – Direitos reservados.

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Assista  entrevistas a moradôres de Mantenópolis ES (Talvêz precise pausar o player de áudio no tôpo da pagina).