Mandado de prisão de Jorge Donatti já está sendo cumprido

O mandado de prisão, expedido pelo desembargador Sérgio Bizzotto Pessoa de Mendonça, contra o prefeito Jorge Duffles Andrade Donati, de Conceição da Barra, já está sendo cumprido pela Polícia Civil, depois de ter sido recebido pelo chefe de Polícia, delegado Joel Lyrio Júnior. O mandado foi expedido na própria noite de quinta-feira (12), logo depois da decretação da prisão do prefeito.

Sérgio Bizzoto é o relator do processo que apura as responsabilidades do prefeito Jorge Duffles Andrade Donati, de Conceição da Barra, na morte do sindicalista Edson José dos Santos Barcellos. Ele decretou a prisão preventiva de Donati acolhendo pedido do Ministério Público Estadual.

Em janeiro, o prefeito já havia sido preso, por determinação de Bizzotto, atendendo pedido do Ministério Público, por estar ameaçando testemunhas, mas duas semanas depois Jorge Donati obteve, liminarmente, um habeas corpus do Superior Tribunal de Justiça, que ainda julgará o mérito do pedido.

A nova prisão de Jorge Duffles Donati, segundo relatado na decisão do desembargador, não trata mais de ameaça a testemunha – “o que já justificaria um decreto prisional -, mas algo de uma gravidade maior: a execução dela por alguém ou a mando de alguém, que se revela nos autos como sendo, provavelmente, o denunciado”

Sérgio Bizzotto acrescentou que “Jorge Donati, enquanto no exercício do cargo de agente público, no Poder Executivo municipal, detém poder político democrático, o que certamente contribui para um aumento da influência que pode do exercer na colheita de provas neste processo”.

Em março, um fato novo começou a surgir no caso: o ex-presidiário Mateus Ribeiro dos Santos compareceu, espontaneamente, ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo e prestou um depoimento denunciando que Jorge Donati mandaria matá-lo.

Mateus era testemunha no caso da morte do sindicalista Edson Barcellos. Ele era padastro de Diones dos Santos, acusado de dar fuga aos executores de Edson. Depois, Diones, conhecido como Porquinho, foi executado em Linhares, quando Mateus ainda estava preso. Ao sair da prisão, Mateus tomou conhecimento de que Donati foi quem mandou matar o sindicalista Edson.

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Na última quinta-feira (5), véspera da Semana Santa, Mateus Ribeiro dos Santos foi executado com 12 tiros dentro de um supermercado no bairro Interlagos, em Linhares. A morte do ex-presidiário, depois da denúncia que havia formulado no TJ, acompanhada pelo procurador de Justiça Sócrates de Souza, motivou o novo pedido de prisão feito pelo Ministério Público e atendido pelo desembargador Sérgio Bizzoto.

Jorge Donati foi denunciado pelo Ministério Público como responsável pela morte do sindicalista Edson José dos Santos Barcellos. De acordo com a denúncia, o crime foi executado por Diego Ribeiro Nascimento e Rodolpho Nascimento do Amaral Ferreira, empreitada intermediada por Oséias Oliveira da Costa.

Diego Ribeiro disse, em depoimento à polícia, no dia 15 de junho de 2010, que foi contratado por Oséias para matar Edson José dos Santos Barcellos, a pedido de Jorge Donatti, e teria recebido R$ 7.000,00 para executar o crime.

Na prisão preventiva de janeiro, de acordo com a fundamentação dos Procuradores de Justiça, “o denunciado vem investindo, desde o curso da investigação criminal, até a presente data, em pesadas ameaças, constrangimentos de pessoas (sobretudo familiares da vítima) e testemunhas, o que demonstra com clareza não apenas a periculosidade do agente, mas também a possibilidade de ocultação ou destruição de provas”.

Uma das vítimas de ameaças, na época, era um padre, que está sendo assistido pelo Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos/ES. A mesma proteção foi oferecida pela Justiça a Mateus Ribeiro dos Santos, quando ele prestou o depoimento no TJES. Antes que a proteção chegasse, o ex-presidiário foi assassinado.

O prefeito de Conceição da Barra está denunciado também por outro crime: o duplo assassinato da mulher dele, Cláudia Soneghete, e da arrumadeira Mauricéia Rodrigues, ocorrido em 15 de janeiro de 2003, popularmente conhecido como “Crime da Ilha”. No próximo dia 8 de maio será o Tribunal do Júri dos irmãos Cristiano dos Santos Rodrigues e Renato dos Santos Rodrigues, acusados da execução do crime.

Em 2008, Jorge Donatti, que seria o mandante, se elegeu prefeito e adquiriu foro privilegiado, por isso o processo que apura sua responsabilidade neste caso foi desmembrado para ser julgado pelo Tribunal de Justiça.