Mais um pedaço da Ponte Getúlio Vargas desaba em Linhares

Ninguém ficou ferido no incidente. O aumento no nível do rio pode ter contribuído para a queda. Os pescadores reclamam do perigo no local

Mais um vão da Ponte Getúlio Vargas cedeu por volta das 9h deste domingo (27). O pedaço já estava abalada desde a última queda, no dia 13 deste mês. A estrutura está totalmente interditada para tráfego de ciclistas e pedestres desde quando um pedaço de aproximadamente 200 metros caiu e matou uma manicure, em janeiro de 2009. Ninguém ficou ferido neste incidente. Os pescadores reclamam do perigo no local.

A parte da ponte que caiu está situada nas proximidades da metade da extensão original da estrutura, de cerca de 630 metros. O pedaço estava inclinado e ameaçava desabar desde o último incidente, ocorrido no dia 13 deste mês. A extensão foi semelhante à do último desabamento, de cerca de 50 metros.

A Defesa Civil de Linhares afirma que o aumento no volume de água do rio contribuiu para a queda. “O nível do Rio Doce era de um metro há um mês. Ontem à tarde, a altura já estava em 2,6 metros. Claro que a correnteza mais forte deve ter contribuído para o desabamento, já que a estrutura está abalada”, afirmou o coordenador da Defesa Civil em Linhares, Antônio Carlos dos Santos.

No caminho para a propriedade rural, o vendedor de pneus, Francisco José Gomes Martins, viu quando a ponte veio abaixo hoje de manhã. “Eu tenho um sítio logo depois do rio. Estava indo para lá de carro por volta das 9h e presenciei a queda da estrutura. Chovia muito na hora. O vão não fez muito barulho quando caiu, o desabamento foi lento. Sabia que esse pedaço da ponte não iria aguentar muito tempo sem ceder. Agora, a estrutura que resta é um perigo para os pescadores que trafegam pelo Rio Doce”, conta.

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O presidente da Colônia de Pescadores de Linhares, Janílson Ribeiro, admite que o perigo, mas afirma que pouco foi feito para evitar uma nova tragédia. “A Capitania dos Portos somente colocou uma placa de ‘proibido passar debaixo’. Mas os profissionais têm de passar sobre as partes que ainda não caíram, apesar dos riscos. Se outra parte da ponte cair, o rio vai ficar inavegável. Amanhã, farei um ofício e vou encaminhar à prefeitura, Capitania e também o Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito] para cobrar a solução: demolir o que resta da estrutura e tirar o entulho do rio”, finaliza.

Na ocasião do último desabamento, o Dnit afirmou que a estrutura será completamente desmontada até o final do primeiro semestre de 2012 e os detritos depositados no leito do Rio Doce também serão recolhidos. O órgão ainda frisou que a licitação para o serviço já está em andamento e deve ser finalizada até o fim do ano.

Quase três anos desde o primeiro desabamento

Aproximadamente 200 metros da estrutura da Ponte Getúlio Vargas desabaram em 19 de janeiro de 2009. Duas mulheres caíram no Rio Doce. Uma delas conseguiu se salvar. Já a manicure Devanir Farias de Souza, 43 anos, que praticava caminhada na hora do desabamento, morreu.

Por volta das 19h de 10 de fevereiro de 2009, outro vão no final da ponte – no sentido Linhares-Vitória – caiu no Rio Doce. Na ocasião, ninguém ficou ferido porque a estrutura já estava interditada.

Ponte histórica

A ponte foi inaugurada em 1954 pelo então presidente Getúlio Vargas. Ela foi utilizada para o tráfego de veículos até 1991, quando foi inaugurada a Ponte Joaquim Calmon – usada até os dias de hoje. Porém, desde a desativação, a estrutura passou a ser muito utilizada para a prática de esportes, como caminhada e ciclismo. A Ponte Getúlio Vargas foi interditada totalmente após o desabamento ocorrido em 2009.

fonte-gazetaonline