Mãe e tia são acusadas de tramar morte de criança

Uma mulher está sendo acusada de encomendar a morte do próprio filho, uma criança de dez anos, para a irmã, que deu várias pauladas na cabeça do garoto. O crime aconteceu por volta das 17h30, no bairro Soteco, em Viana. Segundo a polícia, a criança apresenta problemas mentais e está em estado grave, internada no Hospital Infantil de Vitória.

O menino encontrava-se em casa quando foi surpreendido pela tia, que estava com um porrete de madeira na mão. Ele foi encurralado no quarto e atingido várias vezes com o objeto na cabeça, sendo deixado no local, agonizando.

A agressora, então, foi até a casa de uma cunhada e contou que havia matado o sobrinho – até então, ela não sabia que a criança havia sobrevivido. Como, de acordo com uma testemunha, a tia estava alcoolizada, todos pensaram que ela estava brincando.

Como a tia insistiu no assunto, sua cunhada e uma vizinha foram até a casa da mulher para ver o que realmente havia acontecido. Lá, encontraram a criança caída sobre a cama e com vários ferimentos na cabeça.

A cena aterrorizou as testemunhas, que chamaram a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). No quarto onde o menino estava, havia muito sangue, e ele ainda respirava com dificuldade.

Revoltados, vizinhos das mulheres gritavam por justiça e chamavam mãe e tia de assassinas. Para não perderem o controle da multidão que se formou em frente à residência, os policiais pediram reforço e levaram a acusada para o Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Cariacica.

Pagamento

Ainda segundo uma das testemunhas, que é cunhada da acusada, a tia teria aceitado praticar o crime em troca de R$ 2 mil. Na presença da polícia, no entanto, a mulher nega. De acordo com a acusada, a oferta não foi para ela, mas para quem aceitasse fazer o serviço.

À reportagem, ela se defendeu dizendo que foi a mãe da criança que espancou o menino por ele ter roubado R$ 300. Afirmou que apenas entrou no meio da briga para defender a criança. A mãe do menino não havia sido localizada até o fechamento desta edição. Os nomes das acusadas não estão sendo divulgados para preservar a identidade da criança.


Criança ainda chegou a dizer “foi a titia”

Uma outra testemunha diz que está chocada com o caso. “Não consigo acreditar no que aconteceu”. Ela confirmou a versão da outra testemunha dizendo que a tia chegou em sua casa, completamente bêbada, falando que havia matado o sobrinho.

As duas foram até a casa dela ver o que tinha acontecido. Quando chegaram, encontraram uma cena horrível. “Fiquei horrorizada e chamei a polícia”. Ela conta que tentou saber com a criança o que tinha acontecido e ele chegou a falar “foi a titia” e desmaiou.

Frieza de acusada chocou delegado

O delegado Leandro Piquet de A. Bastos autuou a tia da criança por tentativa de homicídio duplamente qualificada, pois havia a promessa de recompensa e foi utilizado meio cruel para cometer o crime.

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Ainda de acordo com ele, as irmãs não planejaram propriamente o crime, pois decidiram fazer tudo no calor do momento, ainda pela manhã, e executaram o combinado à tarde.

Piquet revelou que o crime aconteceu porque o menino, que teria problemas mentais, não tomou os remédios e começou a dar problemas durante o dia, por isso a decisão de matá-lo. De acordo com a tia, a mãe não aguentava mais a situação.

A crueldade do crime e a frieza com que foi cometido chamou a atenção do delegado. Segundo ele, ela não se mostrou arrependida do que fez em momento nenhum.

Essa atitude fria da tia, a condição da criança e a crueldade utilizada para consumar o crime vão pesar contra a acusada no momento do julgamento, afirmou o delegado, que continua à procura da mãe do menino que fugiu com uma filha de três anos e o sobrinho, de 12.

A tia foi presa em flagrante e depois de ouvida pelo delegado de plantão foi autuada por tentativa de homicídio duplamente qualificada.

Entrevista

Em entrevista, a tia acusada de tentar matar o sobrinho de dez anos se defendeu da acusação e colocou a culpa na mãe da criança. Ela é quem teria causado os ferimentos no garoto e levado a filha de colo e o sobrinho na fuga.

Por que a senhora agrediu o seu sobrinho?

Eu não fiz isso, é mentira. Quem bateu nele foi a mãe dele. Ela usou um porrete que eu tirei da mão dela para a criança não morrer.

Mas testemunhas afirmam que foi você. Você nega?

Com certeza. Se eu não tirasse o porrete da mão dela, o meu sobrinho estaria morto agora.

Porque a sua irmã fez isso então?

Ela disse que o menino tinha roubado R$ 300 do aluguel para comprar drogas e por isso iria apanhar.

Mas ele não é uma criança com problemas mentais?

Não. Quem tem problema é o meu filho, o outro é atentado porque mexe com drogas.

Mas ele só tem dez anos. Como pode?

É, mas ele é atentado. Desde que morava lá em José de Anchieta, na Serra, era assim. Ninguém consegue controlar aquele menino.

Por que você não chamou a polícia quando viu a mãe batendo nele com o porrete?

Não dava tempo. Se eu não agisse, ela tinha matado ele. Depois não sei direito o que aconteceu, só sei que queria ajudar o meu sobrinho.