Luciano Rezende não vai e deputado retira guardas municipais armados da sessão

25052015Guincho_leo_04O clima esquentou na reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura a existência de uma “máfia dos guinchos” na Grande Vitória. Na manhã desta segunda-feira (25), na Assembleia Legislativa, o presidente da comissão, deputado Enivaldo dos Anjos (PSD), deixou a mesa para averiguar se os guardas municipais, presentes na Casa, estavam armados.
O deputado afirmou que essa atitude, de estarem armados na sessão da CPI, seria uma estratégia para intimidar os membros da comissão. Enivaldo pediu que a Casa Militar da Assembleia cadastrasse os agentes e retirassem os que estivessem armados. A permanência seria considerada desacato.
“Eles estão aqui com essa ação intimidatória e não vou admitir isso. Se entrarem na Assembleia, têm que deixar as armas lá fora”, argumentou. Os guardas atenderam, deixaram as armas fora do prédio e alguns voltaram para acompanhar a sessão.
O prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS) era esperado para depor na CPI, mas não compareceu. Está em férias de 10 dias, tratando de assuntos particulares, o que para os meios políticos não pegou bem. Já o secretário de Segurança Urbana, Fronzio Calheira Mota, compareceu e apresentou argumentos para tentar justificar o grande volume de apreensões de veículos.
O prefeito saiu de licença pela manhã desta segunda e mandou uma correspondência para os deputados dizendo que toda e qualquer informação, devido à “desconcentração administrativa”, seria fornecida pelo secretário de Segurança, a quem está subordinada a Guarda Municipal, que tem estado no centro das denúncias de abuso de autoridade por usuários de vias públicas da Capital. A decisão do prefeito não agradou os membros da CPI . Enivaldo dos Anjos destacou como lamentável a atitude do prefeito.
O secretário destacou uma movimentação da guarda municipal no sentido de pressionar a municipalidade em uma batalha sindical. Os agentes estariam tentando discutir questões trabalhistas com uma espécie de “Operação Padrão”, que consiste em exercer a penalidade máxima aos motoristas para desgastar o poder público junto à população.
Fronzio Calheiros (foto à direita) disse que uma portaria da última semana estabelece que o acionamento do guincho não pode mais ser feito pelos agentes de trânsito, mas somente pelos chefes de equipes. A atuação da Guarda Municipal está dividida em quatro áreas na capital, cada uma com um chefe e os guardas são sempre os mesmos nessas regiões.
O secretário afirmou também que a prefeitura determina a presença dos chefes de guarda para efetuar o auto de infração, mas os números mostram a exorbitância da prática de multas e apreensões dos veículos.
Até abril deste ano, foram guinchados 1.515 veículos na Capital. No ano passado, em Vila Velha, foram registradas 1383 autos de infração no total. Em Vitória foram 3.510 autos de infração com remoção do veículo. Diante dessa disparidade, a CPI solicitou os nomes dos agentes recordistas em multas na prefeitura.
Eles foram convocados para a próxima reunião da CPI. Serão ouvidos cinco agentes, identificados apenas como Vítor, Bertolo, Escobar, Vilner e Henrique. A procuradoria da Assembleia vai avaliar a possibilidade de solicitar a quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico dos agentes.
Além deles, os deputados também vão ouvir o presidente do sindicato dos Agentes, Eduardo Dias Amorim, para falar sobre as denúncias sobre as operações da guarda no município.