Justiça manda prender o prefeito

Acusado de assassinar sindicalista, Jorge Donati estaria ameaçando testenhumas

O prefeito de Conceição da Barra, Jorge Donati (PSDB), teve a prisão preventiva decretada pela Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), na tarde de ontem. A decisão é do desembargador Sérgio Bizzotto, relator da denúncia do Ministério Público Estadual (MPES), que aponta o prefeito como mandante do assassinato do sindicalista Edson José dos Santos Barcelos.

Barcelos era secretário do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Conceição da Barra (Sindisbarra) e presidente do DEM no município. Ele foi encontrado morto no dia 6 de julho de 2010, com um tiro na testa, em uma plantação de eucalipto.

Bizzotto atendeu ao pedido do MPES, porque Donati estaria ameaçando testemunhas. Uma das vítimas seria o padre Moacir Pinto. Até a noite de ontem, a Polícia Civil ainda não havia cumprido o mandado de prisão. A informação da assessoria do prefeito é de que ele estaria em Brasília.

Ameaças
O MPES sustenta que o prefeito “vem investindo, desde o curso da investigação criminal, até a presente data, em pesadas ameaças, constrangimentos de pessoas (sobretudo familiares da vítima) e testemunhas, o que demonstra com clareza não apenas a periculosidade do agente, mas também a possibilidade de ocultação ou destruição de provas”.

Bizzotto justifica a prisão diante de “indícios de autoria e prova da materialidade” do crime, da “gravidade, violência, circunstâncias”, além da “demonstração inequívoca de ameaça contra testemunhas”.

Conforme a denúncia, o crime foi executado por Diego Ribeiro Nascimento e Rodolpho Ferreira. Eles teriam sido contratados por Oséias Oliveira da Costa, a pedido de Donati, e teriam recebido R$ 7 mil.

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Após ter sido citado por Diego, Donati prestou depoimento à polícia. O prefeito também é acusado de mandar matar a ex-esposa Cláudia Soneghete, em um crime em 2003, na Ilha do Frade, em Vitória.

Advogado se diz surpreso com decisão
O advogado Homero Mafra, que atua na defesa do prefeito de Conceição da Barra, Jorge Donati (PSDB), se disse surpreso com a decisão do TJES que determinou a prisão do tucano ontem. Ele é acusado de mandar matar o sindicalista Edson Barcelos.

Mafra afirmou que não teve contato com o prefeito e nem tinha conhecimento da decisão do TJES. “Fui pego de surpresa. Não conheço a decisão ainda e acho que o caminho é ir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ)”, afirmou o advogado.

A reportagem tentou entrar em contato com Donati, mas a assessoria da Prefeitura de Conceição da Barra informou que ele estava em Brasília. Questionada sobre o motivo da viagem, a assessoria informou apenas que ele estava “a serviço do município”.

Em novembro de 2010, após prestar depoimento à polícia sobre o crime, Donati afirmou ser absurdo o fato de ter o nome citado. “Sei que, como homem público, estou sujeito à calúnia, mas tenho absoluta confiança nas investigações”, garantiu, na época.

Acusações

Crime
Mandante: O prefeito Jorge Donati (PSDB) é apontado como mandante do assassinato do sindicalista Edson José dos Santos Barcelos, que era secretário do Sindisbarra e presidente do DEM no município.
A morte: O sindicalista foi encontrado morto no dia 6 de julho de 2010, com um tiro na testa, em uma plantação de eucalipto.
Envolvimento: O político e empresário teve seu nome citado em um depoimento prestado por um dos executores do crime. Em dezembro de 2010, depois de depoimento à polícia, Donati alegou que conhecia apenas o pai da vítima e não sabia que Edson era sindicalista.

Outra acusação
Vítimas: Além disso, o prefeito é acusado de um crime, em 2003, no qual morreram carbonizadas na Ilha do Frade a dona de casa Cláudia Soneghete, ex-esposa de Donati, e a arrumadeira Mauricéia Donato.