Justiça fará mais de mil júris ainda este ano no Espírito Santo

Está parado há quase 20 anos, no Fórum de São Mateus, desde o dia 25 de março de 1992, o processo mais antigo, com réu citado, à espera de realização do tribunal de júri no Espírito Santo. Mas em 2012 não ficará mais processo sobre processo nos cartórios das 69 comarcas do Estado.

O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, anunciou na tarde desta segunda-feira, dia 16 de janeiro, que até o dia 19 de dezembro todos os processos de homicídios já aprontados, e aqueles que vierem a sê-lo, terão o júri popular. Para isso, 77 juízes se dispuseram a participar do mutirão contra a impunidade no Estado, num processo que envolve, ainda, o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Espírito Santo (OAB-ES).

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O juiz Paulino José Lourenço, designado pelo presidente do TJ para coordenar o levantamento dos processos sem julgamento, já tem uma relação de 615 processos para realização do júri, mas ainda falta incluir 12 comarcas, dentre elas alguma grandes, como Vila Velha, Colatina, Linhares e Cachoeiro de Itapemirim, o que faz Paulino estimar em mais de mil os tribunais de júri em 2012. Até agora, os maiores números vêm de São Mateus (115), Vitória (106), Serra (100), Cariacica (80) e Guarapari (35).

“Será um esforço gigantesco para zerarmos a pauta do júri. Vale lembrar que a Grande Vitória só tem uma sala de audiência para realização de júri por Comarca e vamos preparar, no prédio do Tribunal de Justiça, pelo menos duas salas para realização de júris aqui também e contribuir para desafogar a pauta de crimes contra a vida”, disse o presidente do TJ, Pedro Valls Feu Rosa.

De acordo com o coordenador dos trabalhos, juiz Paulino José Lourenço, os casos de maior repercussão receberão maior empenho e todos os que estiverem prontos para a realização do júri irão a julgamento. Lourenço citou, diretamente, os casos Maria Nilce, Marcelo Denadai, os acusados da morte de uma médica no Rancho Beliscão, em Vitória, e o chamado “Crime da Ilha do Frade”, que, por envolver um prefeito, que tem foro privilegiado, será realizado pelo TJ.