Júri de ex-prefeito acusado de chacina pode terminar ainda nesta sexta

Dez anos após a chacina que vitimou seis pessoas em Santa Leopoldina, o acusado de ser o mandante do crime, o ex-prefeito da cidade Idemar Entringer, começou a ser julgado na manhã desta sexta-feira (25).

Entringer, que tem 74 anos e sofre de problemas cardíacos, conta com a presença de uma médica e uma enfermeira dentro da sala de audiência no fórum de Santa Leopoldina. Além disso, uma ambulância está estacionada do lado de fora do prédio.

Os advogados Luiz Mill e Homero Mafra, que defendem o ex-prefeito, chegaram a pedir o adiamento do julgamento, o que foi negado pelo juiz Carlos Ernesto Campostrini Machado. O magistrado entendeu que Entringer estava em condições de ser julgado.

As vítimas da chacina, ocorrida na zona rural do município em 2002, foram: Nicolau Pagung, 53 anos; Maria de Lourdes Cruz Pagung, 43; Fabiana Pagung, 14, e Luciana Pagung, 16; além do casal Orlando Cruz de Mendonça, 69 anos, e Lena de Souza Calote, 70 anos. Eles foram mortos a golpes de foice e a pedradas.

Os executores do crime –  o fazendeiro Adolpho Seick, o filho dele, Ermindo Seick, os vaqueiros Luiz Augusto Felisberto Santana e Dirceu Berger – já foram condenados em outro julgamento.

De acordo com denúncia do Ministério Público, o então prefeito de Santa Leopoldina, Idemar Entringer, mostrou interesse em comprar as terras nas quais a família Pagung morava, para fazer um loteamento no local.

Adolpho Seick era o dono das terras. Os Pagung trabalhavam como meeiros. Ainda de acordo com a denúncia, a família teria cobrado uma indenização para sair das terras e, por isso, houve o crime de mando.

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O ex-prefeito é submetido a júri popular, composto por duas mulheres e cinco homens. A pequena sala de audiências do fórum, com 23 cadeiras destinadas ao público, foi ocupada principalmente por familiares do réu.

Em outro prédio próximo ao local um telão foi disponibilizado para os populares, uma vez que o crime chocou a população de Santa Leopoldina. No entanto, no espaço havia apenas amigos de Entringer. Tanto os familiares quanto os amigos acreditam na inocência do ex-prefeito, contra o qual o advogado Homero Mafra diz não haver provas.

Um morador da cidade, o zelador Alex Sandro Ferro, 32 anos, diz que a maioria da população prefere o silêncio, mas espera justiça.

“A população está não só curiosa, mas também tem pressa nesse julgamento porque o crime ocorreu há tanto tempo. Espero que Deus use as autoridades para fazer o correto”.

Julgamento

A primeira testemunha a ser ouvida foi Adolpho Seick, 74 anos. Ele foi condenado a 36 anos de prisão, cumpriu sete em regime fechado e agora está em liberdade condicional. Ele respondeu às perguntas da defesa e do promotor Jefferson Valente Muniz. Seick não disse que o crime foi cometido a mando do ex-prefeito, mas caiu em contradição algumas vezes em relação a depoimentos prestados no passado.

Na época o fazendeiro disse à Polícia Civil que Entringer queria as terras para construir um loteamento e que ele as venderia por R$ 300 mil. Nesta sexta, no entanto, ele disse que nem sequer sabia qual seria a finalidade da propriedade depois que fosse adquirida pela prefeitura. Seick não soube explicar o motivo da contradição e disse que “alguém colocou isso” no depoimento anterior.

A segunda e última testemunha foi o também executor do crime Luiz Augusto Felisberto Santana, que cumpre pena em regime fechado. O réu também deve ser ouvido. Não há previsão para o término do julgamento.