Julgamento de executores da mulher do prefeito Jorge Donati deve durar dois dias

Acontece nesta terça-feira (8) o julgamento dos assassinos da empresária Cláudia Soneghete Donati, 28 anos, e da empregada doméstica Mauricéia Rodrigues Donato, 20 anos. As duas foram mortas há nove anos dentro da mansão em que moravam na Ilha do Frade, em Vitória. Estarão no banco dos réus o jardineiro Cristiano dos Santos Rodrigues e Renato dos Santos Rodrigues.

O marido da empresária, o atual prefeito de Conceição da Barra, Jorge Donati (PSDB), também foi indiciado como mandante do crime. No entanto, por estar exercendo um mandato político, adquiriu direito a foro privilegiado, passando seu processo desmembrado para a alçada do Tribunal de Justiça. Ele somente será submetido a júri se perder o mandato de prefeito.

O julgamento está previsto para começar às 8h30 e não tem data definida para a conclusão. A previsão é de que dure aproximadamente dois dias. De acordo com o Tribunal de Justiça, será realizado o sorteio dos jurados que comporão do Conselho de Sentença. Dos 25 jurados titulares, apenas sete servirão o Conselho.

Em seguida, serão ouvidas as cinco testemunhas do chamado “Crime da Ilha do Frade”. Após os depoimentos, serão interrogados os réus, já que a defesa não arrolou nenhuma testemunhas do processo. Encerrada essa fase, será a vez do promotor do Ministério Público fazer a acusação dos réus e logo após a defesa dos acusados.

O tempo destinado à acusação será de uma hora e meia para defesa e acusação. Como são dois acusados, o tempo para a acusação e defesa será acrescido de uma hora e elevado ao dobro o da réplica e da tréplica.

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Depois dos debates, os jurados responderão aos quesitos formulados pelo Magistrado, onde serão questionados se o acusado deve ser absolvido ou condenado. Antes de proceder-se à votação de cada quesito, o juiz mandará distribuir aos jurados pequenas cédulas, onde eles responderão sim ou não para a condenação.

Caso o julgamento não termine no primeiro dia, os jurados serão levados para um hotel, onde serão vigiados por oficiais de Justiça e Militares para preservar a incomunicabilidade. No local, inclusive, não poderão ter acesso à internet, tv, rádio, celular, ou qualquer outro meio de comunicação.

O processo, com 16 volumes, tinha como relator o desembargador Alemer Ferraz Moulin, que se aposentou e, atualmente, a relatora é a desembargadora convocada Eliana Junqueira Munhós Ferreira.

Jorge Donati é acusado de mandar matar a mulher Cláudia Sonegheti. Ela e a empregada doméstica do casal foram espancadas, assassinadas por asfixia e tiveram seus corpos parcialmente carbonizados na mansão do casal na Ilha do Frade.

Outro crime

Donati está preso desde o dia 14 de abril, quando se apresentou à polícia após ter sua prisão decretada pelo desembargador Sérgio Bizzotto, relator do processo que apura as responsabilidades do prefeito de Conceição da Barra sobre a morte do sindicalista Edson José dos Santos Barcellos.

Em janeiro, o prefeito já havia sido preso, por determinação de Bizzotto, por estar ameaçando testemunhas, mas duas semanas depois Jorge Donati obteve, liminarmente, um habeas corpus do Superior Tribunal de Justiça.

A nova prisão de Jorge Duffles Donati aconteceu após a morte do ex-presidiário Mateus Ribeiro dos Santos. Ele era testemunha no caso da morte do sindicalista Edson Barcellos. A vítima foi morta na véspera da Semana Santa com 12 tiros dentro de um supermercado no bairro Interlagos, em Linhares.