Jovem luta com ladrão para recuperar celular e é morto

O instalador automotivo Renato Barcellos Fraga, 25 anos, foi assassinado com dois tiros, na madrugada de ontem, ao reagir a um assalto em Cobilândia, Vila Velha. Renato foi atrás do ladrão desarmado que levou seu celular, sem saber que o bandido contava com um comparsa armado, escondido atrás de um muro.

O rapaz havia saído de um baile funk, acompanhado da namorada e de uma amiga. De acordo com a namorada da vítima, eles deixaram o local antes que os shows acabassem, por volta das 3h30, para evitar o tumulto na saída. O trio foi em busca de um táxi para voltar para a casa da namorada de Renato, que mora em Garrido.

A mulher contou que abordaram o último veículo de uma fila que fica em frente ao baile, mas o taxista cobrou R$ 20 pela corrida e Renato achou muito caro. Decidiram, então, caminhar até a Avenida Carlos Lindenberg para ver se conseguiam outro táxi mais barato.

Quando estavam à caminho, andando na Primeira Avenida, um homem de bicicleta, desarmado, anunciou o assalto e fugiu com o celular da vítima. Achando que o ladrão agia sozinho, Renato resolveu ir atrás do assaltante e mandou que as meninas se escondessem em um matagal.

Assustadas, elas fizeram o que o rapaz pediu. Como Renato demorou a voltar, elas correram para a pista e pediram ajuda a um taxista que passava. Já no veículo, encontraram o instalador, que já havia sido atingido pelos tiros, correndo pela avenida em sentido contrário.

Luta

No trajeto até o hospital, Renato chegou a contar à namorada que havia lutado com o assaltante e que um comparsa do suspeito, que estava escondido e armado atrás de um muro, atirou nele.

O rapaz foi socorrido no táxi e levado com vida ao Hospital Antônio Bezerra de Farias, em Vila Velha, mas morreu cerca de duas horas depois de ter sido atendido.

Rapaz não quis pagar R$ 20 a táxi

O taxista que ajudou a socorrer Renato e o levou até o hospital foi o mesmo que a vítima abordou na saída do baile funk, mas que não contratou por achar o valor pedido, R$ 20, muito caro. Renato tinha apenas R$ 12 no bolso. A namorada dele ainda pediu para que o jovem aceitasse o preço, já que ao chegar à casa dela poderiam complementar o dinheiro da corrida.

Planos de comprar carro e abrir negócio

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A família de Renato ficou surpresa quando recebeu a notícia de que ele foi morto ao reagir a um assalto depois de ter saído de um baile funk. De acordo com o irmão da vítima, um DJ que preferiu não se identificar, Renato não costumava frequentar bailes funks e era um rapaz tranquilo, que não arrumava confusão.

“Meu irmão gostava de axé e curtia muito micaretas, ele era um cara alegre e divertido, tinha muito amigos. Nunca foi de ir a baile funk, a namorada dele é que curtia mais. Não sei como isso pode ter acontecido, ontem mesmo estávamos falando aqui em casa sobre essa violência toda e sobre como as pessoas hoje em dia matam por nada. Dizíamos que em caso de assalto era melhor entregar tudo e não reagir, mas infelizmente meu irmão não estava presente durante esta conversa”, contou

O DJ contou ainda que o irmão estava em uma boa fase profissional e que fazia planos para o futuro. “Ele estava juntando dinheiro para comprar um carro e abrir o próprio negócio. Construir uma casa no quintal da minha mãe também estava nos planos dele. Agora, está tudo acabado. Minha mãe está arrasada e pensa em vender a casa porque tudo aqui lembra ele”.

A dor do pai

Ainda em choque, e sem conseguir acreditar no que aconteceu, o comerciante Carlos Alberto Fraga, 55 anos, contou que estava em viagem para Barra de São Francisco, no interior do Estado, quando seu filho mais velho ligou para lhe dar a notícia que ele jamais esperava um dia ter de ouvir.

O senhor disse que sempre o aconselhava a não ir ao baile funk.

Sim, sempre pedia a ele que evitasse ir a esses lugares, até nas micaretas eu não gostava que fosse. Para um pai o filho nunca cresce e sempre vai precisar de conselhos.

Seu filho morreu ao reagir a um assalto. Dizia a ele para evitar este tipo de reação também?

Claro, mas isso é instintivo, nem sei porque ele teve essa reação, talvez achou que o bandido estivesse sozinho e não estava. Meu filho foi assassinado covardemente pelas costas, isso dói demais.

Qual o seu sentimento em relação à toda essa violência?

Os bandidos hoje têm mais direitos do que o cidadão de bem e até mesmo do que um policial que está na rua trabalhando. Enquanto as leis neste país não forem mudadas, a violência vai continuar destruindo muitas famílias.