Geração nem-nem: 98 mil nem estudam, nem trabalham no Espírito Santo

Do total de 412 mil jovens no Espírito Santo entre 18 e 24 anos, 23,8% estão longe dos bancos escolares e também não trabalham. É o que aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011.

E os motivos vão desde a evasão escolar, passando por gravidez precoce até o envolvimento com o crime. A maioria dos jovens que está nessa situação pertence à ala feminina, segundo a economista Ana Paula Vescovi, ex-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves. A maternidade é uma das explicações para a distância da sala de aula. Cerca de 60% das jovens da geração nem-nem têm pelo menos um filho.

“Esse percentual está se mantendo ao longo dos anos. Elas ficam grávidas e abandonam a escola. Também acontece de elas precisarem cuidar de irmãos e da casa enquanto os pais trabalham”, explica Ana Paula.

No crime

Entre os meninos, o motivo principal está relacionado com a combinação entre evasão escolar e a criminalidade.

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“Muitos jovens não conseguem acompanhar as disciplinas na escola seja por razões cognitivas, de dificuldade de aprendizagem, seja por razões econômicas. O abandono da escola acaba levando esses meninos para o caminho da criminalidade, apesar de ser uma parcela menor. Essa situação tende a se perpetuar em outras gerações, e é muito difícil romper esse ciclo”, destaca a economista.

A evasão da escola começa a acontecer entre o 6º e o 9º ano do ensino fundamental e se acentua no 2º ano do ensino médio. Em algum momento, esses jovens que não estudam nem trabalham até tentam entrar no mercado de trabalho, mas acabam não tendo êxito por causa da qualificação ruim.

“A taxa de desemprego no Brasil está baixa, gira em torno de 5%, mas ao se estratificar por idade, é possível identificar a dificuldade de ocupação dos jovens. Não se pode dizer que todos esses jovens sejam ociosos. Uma parcela desses 23,8% está procurando emprego, mas simplesmente não consegue”, afirma a especialista.

Pesquisas também revelam que falta interesse nos jovens em continuar os estudos. Isso mostra que a escola não está interessante o suficiente, além de não estar em sintonia com o mercado de trabalho.

“Essa realidade está presente principalmente na população de baixa renda”, conclui a economista.