Fraude na compra de carro financiado complica a vida de professor

Um Astra financiado de maneira fraudulenta, apreendido com carga clandestina do Paraguai, com multa e apreendido pela polícia transformou o dia a dia do professor de Sociologia, João Batista Neto, 58 anos, morador de Brejetuba, Região Serrana do Espírito Santo, em pesadelo. Ele já entrou na Justiça contra a concessionária e a empresa de crédito que financiaram o carro em nome dele sem autorização para tentar minimizar os transtornos que tem passado desde fevereiro.

O veículo está com as prestações atrasadas, com várias multas e foi apreendido pela Receita Federal, no Sul do Brasil, por transporte de mercadoria ilegal do Paraguai. O nome do professor estava registrado no SPC e no Serasa por falta de pagamento do financiamento do carro, mas ele conseguiu uma liminar na Justiça para limpar o nome.

O carro – um Astra sedan, de cor bege, placas MRD – 8110 – foi comprado em novembro do ano passado por criminosos com o nome e o CPF do professor, em uma loja de carros em Jucutuquara, Vitória. O pesadelo começou em fevereiro deste ano depois que o veículo foi perseguido por policiais civis que chegaram até a casa da mãe do João, localizada em Jardim América, Cariacica.

Os policiais informaram que uma perseguição foi iniciada, após os policiais suspeitarem dos ocupantes do Astra. A polícia pensou que era um sequestro relâmpago. Os bandidos conseguiram fugir. A placa foi pesquisada no sistema e o endereço encontrado era o da mãe do motorista, local em que ele morava antes de ir embora para Brejetuba.

No dia do suposto sequestro, a família do professor ficou assustada com a chegada da polícia no imóvel à procura do professor altas horas da noite. “A sensação foi desagradável porque pelo dia e o horário que chegaram na casa da minha mãe deixou todos assustados. Por melhor que fosse a intenção daqueles policiais, que alegaram que estavam preocupados por ser um sequestro relâmpago, foi um constrangimento muito grande para minha família”, ressalta o João.

O professor procurou informações no Detran de Brejetuba e o carro estava registrado em nome dele. A vítima garante que nunca perdeu documentos e não sabe quem poderia ter aplicado esse tipo de golpe. João registrou boletim de ocorrência na delegacia de Afonso Cláudio, cidade vizinha a Brejetuba. O veículo já estava com uma multa por ultrapassagem de sinal vermelho em Vila Velha.

João começou a investigar e descobriu que o carro, modelo 2007, foi vendido por R$ 27,7 mil e financiado em 60 parcelas de R$ 962,85 pela financeira Santander. A dívida chega a R$ 57,7 mil. “No dia que tomei conhecimento fiquei muito angustiado. Três noites sem dormir, preocupado. De repente o seu nome vai parar na lata do lixo por uma prática que você não cometeu, e pessoas usando o seu nome”, frisa.

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Como o veículo foi financiado e a conta não foi paga, o motorista teve o nome incluído no SPC  e também no Serasa. Mas João não ficou parado. Ele acionou a Justiça e conseguiu uma liminar. O nome dele foi resgatado do SPC e do Serasa e um comunicado foi emitido ao Detran para que as multas do Astra não fossem encaminhadas para ele.

A juíza da Comarca de Brejetuba, Sayonara Couto Bittencourt Barbosa, solicitou ao Detran que enviasse documentos do processo da transferência do veículo para tentar identificar o golpista. A decisão foi protocolada em abril e até agora o órgão não atendeu o pedido da Justiça. “Eu quero é que apurem os fatos e os culpados sejam condenados e paguem por aquilo que fizeram”, protesta o professor.

A subgerente de veículos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran|ES), Carla Matos Andrade, informa que o Departamento ao receber a notificação judicial enviou ofício informando que a solicitação seria atendida. O processo de transferência é de 2011 e será encaminhado nesta quarta-feira (30) para a comarca de Brejetuba.

Paraguai

O carro foi apreendido no Portal da Foz, em Foz do Iguaçu, Sul do Brasil, pela Polícia Militar, no dia 20 de abril. O Astra foi levado para Delegacia da Receita Federal da região devido a uma carga de cigarros sem nota fiscal, que estava no porta-malas. Ao todo 5.200 maços de cigarros do Paraguai foram apreendidos. O condutor do carro, que é de Foz do Iguaçu, é vendedor um ambulante de 31 anos. Ele tem várias passagens pela Receita Federal em Foz do Iguaçu por transporte de mercadoria ilegal. Ele foi multado pela mercadoria em R$ 2.440,91.

Na última quinta-feira (24), o professor recebeu um comunicado da Receita Federal sobre apreensão do carro. “Foi outro constrangimento que eu e minha família passamos com essa notificação da Receita Federal, agora eu acredito que vai ajudar muito no desvendar de todo esse mistério e dessa quadrilha envolvida na compra do carro”.

Nesta segunda-feira (28), João apresentou um relatório na Alfandega da Receita Federal, em Vitória, com todas as informações. O professor se colocou a disposição da Receita para qualquer esclarecimento em Foz do Iguaçu. Ele já entrou na Justiça contra a financeira Santander e a concessionária de Veículos.

“Eu e meu advogado entramos com uma ação cível contra as empresas envolvidas. Elas já foram notificadas para apresentar toda documentação que deram origem a esse compra fraudulenta em meu nome”.

Resposta

A concessionária  que vendeu o carro foi procurada pela reportagem e não se posicionou sobre o assunto. Já a financeira Santander informou por meio de nota que o assunto está sob exame da Justiça, e que todas as providências serão tomadas em juízo.