Falta de documentação atrasa liberação de corpos de vítimas de incêndio

A família das quatro vítimas que morreram durante um incêndio na madrugada do último sábado (21), em Jardim Campo Grande, Cariacica, está providenciando a segunda via dos documentos delas para que seus corpos possam ser liberados junto ao Departamento Médico Legal (DML). De acordo com Elaine de Jesus Alves, nora dos catadores de materiais recicláveis Constâncio Secundino Alves, 70 anos, e Marinalva Rodrigues dos Santos, 59, dois filhos do casal serão responsáveis pela tarefa.

Segundo a cozinheira Rosana Pereira Neves de Miranda, 35, vizinha e amiga das vítimas, os documentos originais das quatro vítimas foram destruídos no incêndio. Com isso, a família precisa providenciar a segunda via da documentação para poder liberar os corpos e providenciar o sepultamento do casal. No entanto, os catadores eram naturais da Bahia e os documentos precisam ser retirados na terra natal deles.

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Ainda de acordo com Rosana, a família é muito pobre e está tendo dificuldades para providenciar a documentação e comprar passagens para Vitória. Para ajudá-los, a Prefeitura de Cariacica e vizinhos das vítimas fizeram uma doação de R$ 450 aos familiares para que eles possam chegar ao Espírito Santo o mais rápido possível. A prefeitura está responsável por R$ 300, enquanto a comunidade arcará com os R$ 150 restantes, segundo a administração municipal.

Segundo Elaine, a previsão é de que os filhos dos catadores, Ailton Rodrigues dos Santos e Ivonete Santos Alves, cheguem a Vitória nesta terça-feira (24). Eles moram na cidade de Arataca, no sul da Bahia.

O incêndio

Além de Constâncio e Marinalva, morreram no incêndio do último sábado Luana Alves dos Santos, 9 anos, e Laila Alves dos Santos, 10, netas do casal. Elas moravam com os avós, já que a mãe das meninas já é falecida.

Segundo vizinhos das vítimas, uma vela acesa pode ter sido a causa do incêndio. O local onde as vítimas moravam é considerado uma “invasão” e as casas não são abastecidas com energia elétrica. Por isso, os moradores das cerca de 20 residências da região – a maioria de madeira – ligam clandestinamente as casas a um poste que fica no início da rua. Na noite de sexta, o “gato” parou de funcionar e eles precisaram recorrer às velas.

O incêndio começou por volta de 0h30. Cinco carros do Corpo de Bombeiros foram acionados para tentar salvar a vida das vítimas. Eles apagaram o fogo, mas não conseguiram tirar as pessoas de dentro da casa. A confirmação das causas do incêndio deve ser obtida dentro de dez dias.