Executores da mulher de Donati vão a júri na terça-feira (8)

Nove anos após o assassinato da empresária Cláudia Soneghete Donati, 28 anos, e da empregada doméstica Mauricéia Rodrigues Donato, 20 anos, os acusados pela execução do chamado “Crime da Ilha” irão a júri pela 1ª Vara Criminal de Vitória, na próxima terça-feira (08), a partir das 8h30. Estarão no banco dos réus o jardineiro Cristiano dos Santos Rodrigues e Renato dos Santos Rodrigues, que o acompanhava no dia do crime.

A realização desse júri faz parte do esforço do Judiciário capixaba para dar fim à sensação de impunidade no Espírito Santo. O esforço, comandado pela Mesa Diretora do Tribunal de Justiça, tem contado com a adesão de juízes de varas criminais de todo o Estado. A Presidência do TJES espera que sejam realizados, aproximadamente, mil júris em 2012.

Pelo crime, cometido no dia 15 de janeiro de 2003, na Ilha do Fraude, foram pronunciados (024.03.001235-5) pela Justiça o empresário Jorge Duffles Andrade Donati, atual prefeito de Conceição da Barra, Cristiano e Renato. Entretanto, depois do pronunciamento, Jorge Donati foi eleito prefeito em 2008 e, com isso, adquiriu direito a foro privilegiado, passando seu processo (024.09.916848-6), desmembrado, para a alçada do Tribunal de Justiça. Ele somente será submetido a júri se perder o mandato de prefeito.

O processo, com 16 volumes, tinha como relator o desembargador Alemer Ferraz Moulin, que se aposentou e, atualmente, a relatora é a desembargadora convocada Eliana Junqueira Munhós Ferreira. Jorge Donati é acusado de mandar matar a mulher Cláudia Sonegheti. Ela e a empregada doméstica do casal foram espancadas, assassinadas por asfixia e tiveram seus corpos parcialmente carbonizados, na mansão do casal na Ilha do Frade, por isso o ficou conhecido como “Crime da Ilha”.

Continua depois da Publicidade

Powered by WP Bannerize

Outro crime

Donati está preso desde o dia 14 de abril, quando se apresentou após ter sua prisão decretada pelo desembargador Sérgio Bizzotto Pessoa de Mendonça, relator do processo que apura as responsabilidades do prefeito de Conceição da Barra sobre a morte do sindicalista Edson José dos Santos Barcellos. O magistrado acolheu o pedido do Ministério Público Estadual.

Em janeiro, o prefeito já havia sido preso, por determinação de Bizzotto, por estar ameaçando testemunhas, mas duas semanas depois Jorge Donati obteve, liminarmente, um habeas corpus do Superior Tribunal de Justiça, que ainda julgará o mérito do pedido.

A nova prisão de Jorge Duffles Donati, segundo relatado na decisão do desembargador, não trata mais de ameaça a testemunha – “o que já justificaria um decreto prisional -, mas algo de uma gravidade maior: a execução dela por alguém ou a mando de alguém, que se revela nos autos como sendo, provavelmente, o denunciado”.

Em março, um fato novo começou a surgir no caso: o ex-presidiário Mateus Ribeiro dos Santos compareceu, espontaneamente, ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo e prestou um depoimento denunciando que Jorge Donati mandaria matá-lo.

Mateus era testemunha no caso da morte do sindicalista Edson Barcellos. Ele era padastro de Diones dos Santos, acusado de dar fuga aos executores de Edson. Depois, Diones, conhecido como Porquinho, foi executado em Linhares, quando Edson ainda estava preso. Ao sair da prisão, Mateus tomou conhecimento de que Donati foi quem mandou matar o sindicalista Edson.

Na quinta-feira (5 de abril), véspera da Semana Santa, Mateus Ribeiro dos Santos foi executado com 12 tiros dentro de um supermercado no bairro Interlagos, em Linhares. A morte do ex-presidiário, depois da denúncia que havia formulado no TJ, acompanhada pelo procurador de Justiça Sócrates de Souza, motivou o novo pedido de prisão feito pelo Ministério Público e atendido pelo desembargador Sérgio Bizzoto.

Jorge Donati foi denunciado pelo Ministério Público como responsável pela morte do sindicalista Edson José dos Santos Barcellos. De acordo com a denúncia, o crime foi executado por Diego Ribeiro Nascimento e Rodolpho Nascimento do Amaral Ferreira, numa empreitada intermediada por Oséias Oliveira da Costa.

Diego Ribeiro disse, em depoimento à polícia, no dia 15 de junho de 2010, que foi contratado por Oséias para matar Edson José dos Santos Barcellos, a pedido de Jorge Donatti, e teria recebido R$ 7 mil para executar o crime.