Estado já perdeu R$ 7 bi em novelão de 10 anos

Nos últimos dez anos, por conta da interminável obra de ampliação do aeroporto da Capital, o Espírito Santo contabiliza prejuízo da ordem de R$ 7 bilhões por passageiros não desembarcados. E esses passageiros deixaram de vir ao Estado exatamente pela falta de infraestrutura adequada.

O cálculo das perdas foi feito pelo engenheiro civil com mestrado em Geotecnia João Renato Prandina. No estudo, ele utilizou dados de duas cidades com a mesma faixa populacional de Vitória: Bilbao, na Espanha, e Pittsburgh, nos Estados Unidos.

Considerando os números de 2006, e comparando a movimentação de passageiros com a população local, Prandina constatou que, em Bilbao, para cada habitante da cidade, cinco passageiros foram transportados. Em Pittsburgh a proporção foi de quatro passageiros por habitante e, em Vitória, apenas um passageiro por cada habitante.

As ligações viárias, que garantem a mobilidade das pessoas e contribuem para a atração de visitantes/turistas, também foram objeto de estudo do engenheiro, que atua também como consultor nas áreas de infraestrutura e transportes. Novamente Vitória teve o pior desempenho.

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A Capital do Espírito Santo tem seis ligações viárias – uma para cada 52.333 habitantes. Bilbao tem 15 importantes ligações viárias, com a proporção de uma para 23,6 mil moradoras, enquanto que Pittsburgh, com 21 ligações teve o resultado de uma para cada 15.238 moradores.

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“Quando se disponibiliza a infraestrutura adequada para a população e para o turismo de lazer e de negócios, o mercado privado se movimenta sozinho”, explica. E não dá para se falar nisso sem um bom aeroporto, enfatiza. O turismo aquecido abastece a rede prestadora de serviços de uma cidade, multiplicando por quatro cada real investido.

Na avaliação de Prandina, uma das formas de o Estado reverter as perdas que terá com o fim do Fundap “é exigir do governo federal que as obras do Aeroporto de Vitória sejam concluídas imediatamente”.

A segunda alternativa é exigir investimentos nas obras de dois aeroportos regionais: de Linhares e Cachoeiro de Itapemirim para que tenham condições de movimentar passageiros e sejam também alternativas para o transporte de cargas. “Um aeroporto regional, do ponto de vista do turismo de negócios tem poder meteórico de expansão”, destaca.