Esquema milionário ligado a Cachoeira

Um complexo esquema de jogo do bicho e lavagem de dinheiro no Espírito Santo ligado à rede de ilegalidades do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi desarticulado pela Polícia Civil, durante uma megaoperação encerrada ontem, em Vitória.

A ação policial intitulada “Capone” foi realizada pelo Núcleo de Repressão a Organizações Criminosas (Nuroc). A operação começou na última terça-feira e percorreu dez municípios, distribuídos na Grande Vitória e no Sul do Espírito Santo.

Com base em dados e informações do serviço de inteligência, foram realizadas, durante seis meses, investigações a grupos articulados de contraventores.

Lavagem

Uma estrutura reunindo banqueiros com status de empresários, “laranjas”, servidores públicos e até policiais formava a máfia de lavagem de dinheiro. Tudo regado a muito luxo, ostentação e cifras milionárias.

Ao todo, 72 pessoas envolvidas na rede de bancas e pontos de apostas, exploração de máquinas caças-níqueis e sonegação foram presas. Todas foram autuadas pelos crimes de lavagem de dinheiro, sonegação, estelionato e formação de quadrilha.

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Entre os detidos está o empresário Jolimar Valadares, 82 anos; o filho dele, Jeferson Valadares; os bicheiros Sérgio Zanoli; e Carlos Alberto Coutinho – todos com mandado de prisão expedido pela Justiça. Carlos Alberto foi detido com um carro Mercedes-Benz, na área de um spa, na cidade de Castelo, no Sul do Estado.

Segundo a Polícia Civil, um único bicheiro capixaba chegava a movimentar cerca de R$ 500 mil em um dia de apostas. Também foram apreendidos R$ 1 milhão em dinheiro, outros R$ 22,5 milhões bloqueados em contas privadas e mais de R$ 3 milhões em cheques.

Ainda na linha do poderio econômico por trás dos contraventores estão aquisições de veículos, embarcações, fazendas, imóveis e até faculdades.

“Os lucros dos jogos ilegais era ‘lavado’ na compra de imóveis, que não eram declarados no imposto de renda”, explicou um dos delegados responsáveis pela operação, Jordano Bruno Leite.

Foram estourados 150 pontos de venda e mais de 14 bancas de jogos de azar – cinco na Região Metropolitana da Grande Vitória; uma em Itaperuna, no Rio de Janeiro; e o restante, em Cachoeiro de Itapemirim e cidades próximas.

Escândalo

A magnitude da rede de lavagem de dinheiro integrando outros Estados contou, segundo a polícia, com um fato de repercussão nacional.

“Descobrimos a dependência econômica do esquema capixaba e demais bancas após o bloqueio de bens e contas do bicheiro Carlinhos Cachoeira, em Goiás. O esquema ainda interliga São Paulo e Rio de Janeiro”, explicou o delegado Jordano Bruno Leite.

Cachoeira foi preso pela Polícia Federal suspeito de utilizar o dinheiro sujo dos jogos para financiar campanhas políticas.

O delegado informou que houve prejuízo para os bicheiros do Espírito Santo, resultado de uma reação em cadeia de perdas de rendimentos resultante do escândalo. “Muitos pagamentos de banqueiros aqui do Estado chegaram a ser suspensos”, disse Jordano Leite.