Entenda o mundo da fé: a diferença de crenças e práticas das principais religiões

No Brasil existem aproximadamente 125 milhões de católicos, 18 milhões de pentecostais e cerca de 8,5 milhões de protestantes. Outras religiões como Islamismo, Judaísmo, Budismo, Espiritismo e mais uma série de credos e cultos somam 5,4 milhões de fiéis. Antes de fechar essa conta, é preciso dizer que aqueles que alegam não ter nenhum credo chegam a 12 milhões em todo o país.

Com tantos cultos, missas e todo tipo de encontro que reúna um grupo determinado a cultivar uma fé é comum fazer confusão. Por exemplo, poucos conhecem a diferença entre protestantes e pentecostais. Ou ainda, o que difere o Judaísmo, uma das primeiras religiões do mundo, do Cristianismo? As dúvidas não param. É possível saber de cor o nome das 16 entidades cultuadas pelos seguidores do Candomblé? E mais, quando surgiu o Espiritismo? Quais são suas características centrais?

Para responder a essas e mais algumas perguntas de quem tem curiosidade de conhecer o mundo da fé, a reportagem do portal Gazeta Online ouviu uma série de teólogos, babalorixás, espíritas, judeus, filósofos e consultou ainda a literatura da área para apresentar para o leitor um pequeno dicionário com alguns dos termos usados pelas religiões mais cultuadas no mundo.

Religião e prática religiosa

Mas antes de entrar de vez no glossário (veja arte no fim da matéria) é preciso recorrer aos livros para entender o significado da necessidade do homem em buscar apoio divino. Em “O Livro das Religiões”, de Vitor Hellern, Henry Notaker e Jostein Gaarder, os autores definem o termo religião da seguinte maneira: “é o batismo numa igreja Cristã. É a adoração num templo budista. São os judeus com o rolo da Torá diante do Muro das Lamentações em Jerusalém. São os peregrinos se reunindo diante da Caaba em Meca”, resume a publicação logo na página de abertura.

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foto: Agência Estado
Baianas prestam homenagem a Iemanjá em Salvador
Baianas prestam homenagem a Iemanjá em Salvador

Professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), doutor em filosofia e especialista em religião e espiritualidade, Marcelo Martins explica a prática religiosa por meio da interpretação dos credos baseados em escrituras. “O que é referenciado em uma suposta palavra de Deus se coloca dentro das comunidades como uma literatura santa, desta forma ela é diferenciada das demais. Os grupos confessam que essa palavra vem de Deus, assim a interpretação é uma forma de mostrar que a palavra é atual. Essa necessidade existe para que os fiéis se identifiquem com o texto e o compreendam”, explica o professor.

A interpretação das escrituras não é a única forma de exercer a fé em determinada religião. Existem credos, como o Candomblé, por exemplo, que são basicamente orais. E para explicar melhor o conceito de crença, é necessário mais uma vez recorrer à publicação de Heller, Notaker e Gaarder. “O crente tem ideias bem definidas de como a humanidade e o mundo vieram a existir, sobre a divindade e o sentido da vida. Esse é o repertório de ideias da religião, que se expressam por cerimônias religiosas (ritos) e pela arte, mas, em primeiro lugar, pela linguagem. Tais expressões linguísticas podem ser escrituras sagradas, credos, doutrinas ou mitos”,  diz trecho do Livro das Religiões.

Ainda de acordo com o professor Vitor Rosa, a palavra religião significa religar. “Ligar as pessoas a Deus e entre si”, explica. O teólogo destaca que desde os tempos mais remotos existem registros do elemento religioso no ser humano. “A arte nas cavernas, o sepultamento e a busca do sobrenatural como defesa confirmam essa crença”, encerra.

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