Embalados por um mundo melhor

A cidade de Vitória produz aproximadamente 9,5 mil toneladas de lixo por mês, segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). As sacolas plásticas, de acordo com as estatísticas, compõem aproximadamente 900 toneladas desses resíduos.  Grande parte dessas sacolas são provenientes dos supermercados e, após o uso, todo esse plástico segue para aterros sanitários ou ficam espalhados nas ruas, entupindo bueiros, poluindo os rios e o mar.
A partir de segunda-feira (9) terá início o projeto-piloto nos supermercados de Vitória que eliminará o uso das sacolas plásticas tradicionais, serão substituídas por outras, as retornáveis ou as 100% biodegradáveis. A iniciativa é parte do termo de compromisso assinado pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Caoa e dos centros de apoio operacionais de Defesa do Consumidor (CADC), de Implementação das Políticas de Educação (Cape), e de Implementação das Políticas da Saúde (CAPS), o Ministério Público do Trabalho (MPT/ES), a Associação Capixaba dos Supermercados (Acaps) a Associação Comunitária do Espírito Santo (Aces) e associações de moradores.
Dessa forma, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) iniciou  um movimento para alcançar um modelo sustentável de gestão dos resíduos gerados a partir das atividades dos supermercados no Espírito Santo. A medida está implementada em outros Estados, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, e em outros países, como Reino Unido, Irlanda e África do Sul.
O projeto aplica as regras do consumo consciente dentro dos supermercados, por meio da campanha para substituição das sacolas plásticas. A partir dessa experiência na capital – e com os ajustes necessários -, a campanha será ampliada para a rede supermercadista do Espírito Santo. O Termo de Cooperação (TC) foi firmado para adequar os estabelecimentos à Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010).
“Adotamos o lema ‘pensar globalmente, agir localmente’ quando firmamos o termo com os supermercados de Vitória”, disse a dirigente do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (Caoa), a promotora de Justiça Nícia Regina Sampaio. A Lei 12.305/2010 regulamenta a gestão do lixo no país.
Além de estimular a não-geração, a redução, reutilização e tratamento de resíduos sólidos, a lei fez a distinção entre o resíduo, que pode ser reaproveitado ou reciclado, e o rejeito, o lixo não passível de reaproveitamento, como o caso das sacolas plásticas. A política também instituiu o princípio da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Do fabricante ao consumidor final, todos são responsáveis pela gestão adequada e pela destinação do lixo produzido.
Ecobags e sacolas
O custo das sacolas plásticas sempre esteve embutido no custo final dos produtos comprados nos supermercados. São cerca de R$ 0,03, que, no fim de seu ciclo, geram um custo ambiental e social muito maior, como a mortandade de animais, a poluição e o entupimento de bueiros.
O cliente que optar em levar a sua própria embalagem de casa (ecológica e retornável) receberá R$ 0,03 de desconto a cada cinco produtos comprados.
Conforme uma das cláusulas do Termo de Cooperação, os estabelecimentos venderão as eco-bags, retornáveis, por aproximadamente R$ 2,00. Essas sacolas possuem uma durabilidade maior e suportam mais peso e volume.
A intenção é motivar o consumidor a levar a sua própria embalagem de casa, no entanto, caso não faça, estará disponível a sacola biodegradável, que custará de R$ 0,19 a R$ 0,22.
As sacolas biodegradáveis possuem em sua composição 80% de amido e, quando descartadas, sedecompõem em 180 dias, transformando-se em composto orgânico, ou seja, adubo. As biodegradáveis suportam seis quiilogramas, conforme as especificações da ABNT.