Eles desistiram do mandato de vereador

Motivos: decepção com função e defesa da alternância de poder

No cenário em que muitas Câmaras do Estado defendem projetos de aumento do número de vereadores e dos próprios salários, há também aqueles que desistiram de tentar novo mandado como parlamentar municipal. Os motivos são diferentes e contrastam com os que ocupam o cargo há 20, 30 anos. Enquanto uns se decepcionaram ou apoiam a alternância de poder, outros buscaram novas oportunidades na política, mas sem mandato.

No caso do ex-vereador Wellington Lima, o Professor Elinho, o motivo foi a decepção com o partido e também com a população. Eleito para o mandado de 2005-2008 pelo PT, em Cariacica, Elinho afirmou que os militantes petistas não seguiam os princípios defendidos pelo partido. “A função social tão difundida pelo PT não acontecia de fato. Ao invés de iluminar as periferias do município, por exemplo, a BR era escolhida pelos vereadores para receber esse benefício”.

“Desisti porque fiquei desiludido com a falta de participação da sociedade e da atuação do PT. O partido do “social” não seguia essa diretriz”
Professor Elinho, ex-vereador de Cariacica

Além disso, após o envolvimento do PT no escândalo do mensalão – que tem ação penal para ser julgada no Supremo Tribunal Federal (STF) – ele resolveu, no segundo ano do mandado, se filiar ao PSB.

A falta de participação popular também não agradou ao ex-vereador. “Eu tinha uma função pública e ocupava o cargo para fazer a vontade da população. Mas não havia participação, cobrança ou sugestões e isso me frustrou”. Atuando como professor da rede municipal de Vitória e da estadual de Cariacica, Elinho diz que optou por fazer política por outros meios. “Hoje não sou filiado a partido, mas contribuo com a política de outras formas. Faço palestras e participo de movimentos sociais da Pastoral da Criança e da Associação de Caridade de Cariacica Sede”.

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O ex-vereador Sebastião Covre (PT), atual secretário de Serviço e Trânsito de Cariacica, não quis tentar reeleição por acreditar na alternância de poder. Ele foi eleito para o mandato de 1989-1992, em Vila Velha.

“Entendo que todo cidadão deve participar ativamente e, na época, tínhamos oportunidade de indicar outros integrantes do partido. É importante que diferentes políticos vivenciem o cargo e a situação de cada cidade”.

“Não tentei outro mandato por entender que todo cidadão deve ter uma experiência na vida política. E, por isso, decidi abrir esse espaço”
Sebastião Covre (PT), ex-vereador de Vila Velha

Procurador de Contas e desembargador deixaram a política

O desembargador aposentado Hélio Gualberto Vasconcellos, ex-vereador de Vitória pelo PSDB, de 1997-2000, desistiu de tentar outro mandato por terem surgido outros trabalhos ligados à política.

“Após o fim do mandato como vereador, tive a oportunidade de atuar como procurador-geral da Prefeitura de Vitória, na época de Luiz Paulo Velloso (PSDB) e, logo após, como procurador-geral da Assembleia Legislativa, quando o deputado César Colnago (PSDB) foi presidente. Além disso, fui assessor de João Coser (PT) por dois anos”, contou.

Com a sensação de que o trabalho dos vereadores não era colocado em prática pela maioria dos parlamentares, o ex-vereador em Vila Velha pelo PT (1988-1996) Domingos Taufner – atual procurador-geral do Ministério Público de Contas – lançou até o “Manual do Candidato a Vereador”, em 2000.

O manual explica que a função dos vereadores é fiscalizar com independência a atuação do prefeito e fazer leis, e não levar obras para os bairros, construir escolas ou distribuir cestas básicas.