Doenças do coração matam mais do que câncer no Brasil

O Brasil é o país em que mais morrem pessoas por acidente vascular cerebral (AVC) na América Latina, com mais de 129 mil casos por ano. Uma das principais causas deste problema é a fibrilação atrial, um tipo de arritmia cardíaca que atinge cerca de 1 milhão e  meio de pessoas. Apesar disso, menos de 4% da população brasileira não consegue relacionar este fator à ocorrência de um derrame cerebral.

Segundo pesquisa realizada pela Bayer HealthCare Pharmaceuticals, com sete mil pessoas, 72% dos entrevistados acreditam que as principais causas de mortalidade no Brasil está relacionado ao câncer, tabagismo ou acidentes de trânsito. Por este motivo, o coração acaba ficando esquecido.

De acordo com o cardiologista e presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Jadelson Andrade, do mesmo modo que uma mulher faz o autoexame para diagnosticar um nódulo na mama, qualquer pessoa pode sentir o pulso para saber se o coração está bem.

“A frequência cardíaca deve ser entre 60 e 100 batimentos por minuto. Se ao sentir o pulso, a pessoa perceber que está com a frequência abaixo de 60 ou acima de 100 batimentos por minuto, pode ser um sinal de que ela está com fibrilação atrial”, explica o especialista.

Derrame

Os pacientes com fibrilação atrial apresentam maior risco de acidente vascular cerebral. Além disso, os derrames cerebrais relacionados com esse tipo de arritmia são mais graves, pois causa incapacidade em mais da metade dos pacientes.  “As consequências de um derrame arrasa não só a vida do paciente, como também a dos familiares e cuidadores. A maioria dos sobreviventes necessita de ajuda e tratamento por longo prazo”, revela  Jadelson.

Obesidade, tabagismo, colesterol alto, hipertensão e sedentarismo. A junção de dois desses fatores aumenta em 30% a chance de alguém se tornar cardíaco. E segundo a pesquisa, 35% da população admite estar acima do peso ideal.

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O presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia alerta que se nada for feito, daqui a 20 anos o Brasil vai ser o primeiro do mundo na lista de mortes por doenças do coração.

Tratamentos

Há anos, a aspirina é utilizada para evitar ataque cardíaco e AVC pois reduzem a coagulação. O tratamento anticoagulante mais tradicional é feito com a varfarina, porém, especialistas afirmam que este medicamento possui limitações. O paciente pode ficar “super-anticoagulado”, o que pode levar a sangramentos.

Recentemente foi aprovado no Brasil um novo anticoagulante oral para redução do risco de AVC. A rivaroxabana oferece benefícios de baixa interação medicamentosa e não necessita de monitoramento de coagulação sanguínea.

A repórter Patrícia Scalzer viajou a convite da Bayer para conhecer a pesquisa sobre doenças do coração.

O que é um AVC?

É o desenvolvimento rápido da perda da(s) função(ões) cerebral(is). É causado pela falta de suprimento sanguíneo para o cérebro devido a um coágulo de sangue ou hemorragia, causando a  morte rápida das células cerebrais que pode resultar em paralisia ou movimentos severamente  restritos, perda da  fala ou visão que pode ser permanente ou, até mesmo, a morte. Os AVCs podem ser classificados em duas categorias principais:

– Acidentes  vasculares  cerebrais  isquêmicos, que  ocorrem  devido  a  uma
interrupção do suprimento de sangue por cauda de um bloqueio(por exemplo, um coágulo
de sangue)

–  Acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos, que ocorrem devido à  ruptura
de um vaso sanguíneo que leva ao sangramento dentro do cérebro

O  AVC,  de qualquer  tipo, é a segunda causa mais comum de morte no mundo, responsável por 5 milhões de mortes a cada ano. É também a principal causa de incapacidade permanente entre os adultos nos EUA.

O que é Fibrilação Atrial (FA)?

É o distúrbio do  ritmo cardíaco mais comum e afeta mais de 6 milhões de pessoas na Europa, até 5,1 milhões de pessoas nos EUA e mais de 800 mil pessoas no Japão. A FA  atinge  cerca  de 1,5 milhão de brasileiros. Na FA, as câmaras superiores (átrios) do coração contraem-se  de forma irregular.

Como resultado, os átrios não se esvaziam completamente e o sangue não flui de forma  adequada, permitindo a formação potencial de coágulos de sangue. Estes coágulos sanguíneos  podem se soltar e deslocar para o cérebro, resultando em um acidente vascular cerebral (AVC).