“Dirceu era o chefe da quadrilha”, conclui relator do mensalão

Relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, o ministro Joaquim Barbosa, votou nesta quarta-feira pela condenação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu por corrupção ativa e o colocou como o mentor do mensalão, o esquema de compra de apoio no Congresso para garantir a aprovação de projetos de interesse do governo Lula.

“José Dirceu detinha o domínio final dos fatos. Em razão do elevadíssimo cargo, atuava em reuniões fechadas, jantares, encontros secretos, exercendo comando e dando garantia ao esquema criminoso com divisão de tarefas. Mantinha influência superlativa sobre os corréus”, afirmou Barbosa.

Barbosa votou ainda pela condenação, por corrupção ativa, de outros sete réus: José Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach, Rogério Tolentino e Simone Vasconcelos. Ele absolveu Anderson Adauto e Geiza Dias.

Em seu voto, Barbosa destacou que Dirceu controlava o esquema, organizava o que era necessário para viabilizar os pagamentos, negociava os empréstimos bancários fraudulentos que alimentaram o mensalão com as diretorias do BMG e do Banco Rural e acertou com os líderes partidários a distribuição do dinheiro.

Continua depois da Publicidade

Powered by WP Bannerize

Para isso, se valeu daqueles que foram apontados como operadores do mensalão – o empresário Marcos Valério e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.

“O conjunto probatório, sobre os pagamentos efetuados por Delúbio Soares e Marcos Valério a parlamentares, colocam o então ministro da Casa Civil na posição central da organização e da prática como mandante das promessas de pagamento das vantagens indevidas a parlamentares para apoiar o governo”, afirmou Joaquim Barbosa.

Mosaico

Depoimentos prestados por deputados beneficiados, reuniões entre instituições financeiras e Dirceu na Casa Civil e a atuação de Marcos Valério em sintonia com o então ministro de Lula comporiam o “mosaico” citado pelo relator para mostrar quem comandava o esquema.

Barbosa começou a esmiuçar a relação entre Dirceu, Valério e Delúbio pelas reuniões dos três no Palácio do Planalto com dirigentes do BMG e Banco Rural. Os encontros foram agendados por Valério e acompanhados por ele e Delúbio.

“Não é absolutamente comum que estejam presentes em reuniões do ministro com representantes do Rural e BMG um publicitário que se aproximou do PT no segundo turno das eleições presidenciais de 2002 coordenadas pelo presidente do PT, José Dirceu e ainda o tesoureiro desse partido”, afirmou.

A versão encampada pela defesa de Dirceu, de que ele não mantinha relações com Valério, seria inverossímil. “Entender que Valério e Delúbio agiram e atuaram sozinhos e contra o interesse e a vontade de Dirceu, nesse contexto de reuniões fundamentais, é inadmissível”, afirmou o ministro.