Dezenove imigrantes brasileiros estão desaparecidos nas Bahamas

Um grupo de 19 brasileiros, moradores de várias cidades mineiras e de outros estados, está desaparecido na travessia das ilhas Bahamas para os Estados Unidos. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (23) por um jornal dos Estados Unidos, especializado em notícias sobre brasileiros.

Familiares de um dos brasileiros desaparecidos nas Bahamas, relataram que uma embarcação com 19 passageiros partiu, provavelmente de Nassau com destino a Miami, na Flórida, distante 80 quilômetros pelo mar, no dia 6 de novembro e, desde então, ninguém mais soube notícias das pessoas.

“Se estivessem presos autoridades já teriam comunicado ao consulado brasileiro mais próximo”, relatam familiares, desesperados com a situação.

Os brasileiros foram identificados graças aos contatos com familiares. Entre eles estão, Márcio Pinheiro de Souza, natural de Sardoá (MG), Renato Soares de Araújo, de Virginópolis (MG), Arlindo de Jesus Santos, de Rondon do Pará (PA) Bruno Oliveira Souza, Reginaldo Ferreira Martins, Diego e mais treze cuja identidade e procedência ainda não estão devidamente apurados. Indícios mostram que a maioria saiu de cidades mineiras do Leste, e outros, do Pará e Rondônia.

Continua depois da Publicidade

Powered by WP Bannerize

Buscas

Autoridades da região do Caribe confirmam que a guarda costeira de Bahamas realizou buscas na região do suposto naufrágio sem, contudo, encontrar vestígios da embarcação, e tampouco dos seus passageiros.

Com isso, surge a segunda possibilidade, a de estarem todos presos, nas Bahamas. À véspera do Natal, famílias angustiadas aguardam notícias dos seus parentes.

Rota alternativa de travessia

Com as constantes ocorrências de crimes, na travessia pelo México, as Bahamas, país arquipélago a 80 quilômetros do litoral da Flórida, são um popular destino turístico no mar caribenho, usado como “pano de fundo” por imigrantes que querem entrar nos Estados Unidos.

No dia 5 de dezembro foi sepultado, na cidade de Sobrália, no Vale do Aço, o corpo de um jovem que morreu na tentativa de travessia do México para os EUA.

O desânimo sobre a situação no Brasil e a falta de informações sobre os riscos da travessia marítima estão por trás do aumento nas tentativas de migração pelo mar, diz o advogado brasileiro Alexandre Piquet, que atende imigrantes na Flórida há 16 anos, em entrevista à BBC Brasil.

Alexandre afirma que pequenos grupos de brasileiros têm migrado aos Estados Unidos em embarcações que partem das Bahamas há muito tempo, mas desde o fim do ano passado o fluxo se intensificou.

A dinâmica da travessia exige uma viagem de avião até as Bahamas, que não exigem vistos de entrada de brasileiros para viagens de turismo de até 15 dias, e, de lá, tentam chegar aos Estados Unidos em navios ou barcos clandestinos.

Além de enfrentar os 80 quilômetros de mar, a fiscalização estadunidense é rigorosa na rota e as prisões de imigrantes ilegais são frequentes.