Cuidado, bactérias alojadas na boca podem matar, alertam dentistas

No último domingo, o jogador de basquete americano Laurence Young, que fez parte da equipe do Saldanha da Gama e do Vila Velha Cetaf, morreu em decorrência de uma infecção dentáriacausada por uma bactéria.

A morte de Young, de 30 anos, trouxe a discussão bactérias alojadasa em nossa boca podem matar? O Vida Saudável ouviu duas dentistas e elas explicaram que várias bactérias presentes na boca podem levar um paciente à morte se caírem na corrente sanguínea.

De acordo com a implantodontista Milleni Linero Maciel, essa bactéria pode matar em pouco tempo. “Acontece mais do que a gente imagina. Essa bactéria está na boca. Se a pessoa tem uma cárie profunda, a bactéria chega ao canal e pode cair na corrente sanguínea”.

A cirurgiã bucomaxilofacial Martha Salim conta que casos de infecções da cavidade bucal que espalham-se pelo organismo acontecem todos os dias. “Já atendi diversos pacientes que passaram por isso. Qualquer foco de infecção na cavidade bucal pode disseminar bactérias para o sangue e para órgãos vitais, como cérebro e coração”.

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Segundo Martha Salim, se a pessoa tiver algum tipo de doença sistêmica associada, como o diabetes, e até mesmo se estiver passando por uma fase de estresse, com a imunidade  baixa, a infecção que começa na boca pode se tornar generalizada.
Outro caso

Um dos pacientes vítimas de complicações graves tratada pela cirurgiã, o advogado Akel de Andrade, 33 anos, quase perdeu a vida devido a uma infecção após extrair dentes sisos. “Três dias depois apareceu uma infecção no local de onde um deles foi extraído. Teve pus e tive que tomar antibiótico venoso. Fiquei internado por três dias e não melhorava, e a infecção progredindo”, lembra.

No terceiro dia de internação, o irmão do advogado, que é médico, identificou que a infecção tinha se espalhado para outras partes do corpo, como a coluna, o cérebro e o tórax. “Estava no interior do Estado e vim imediatamente para um centro cirúrgico em Vitória. Minha sorte é que fui muito bem atendido pela equipe da doutora Martha Salim. Eu poderia ter tido uma infecção generalizada e morrido”, destaca o advogado.

Akel teve um abscesso cerebral, mas, hoje, cinco meses depois, ele passa bem e faz fisioterapia para voltar a ter uma abertura normal da boca.

O resultado dos testes feitos com a substância retirada da boca de Akel apontou que essa bactéria pode ter sido adquirida no consultório odontológico por falta de esterilização correta.

Doutora Martha reforça a necessidade de atendimento por dentistas especialistas, sendo necessário o diagnóstico precoce para salvar vidas. É necessário  também atendimento hospitalar e uma equipe multidisciplinar. “Se ele não tivesse sido atendido no período de 48h, provavelmente, ele teria vindo a óbito”, acredita.

Prevenção

Vá regularmente ao dente e quando for realizar um procediemnto cirúrgico, procure um profissional especializado.