Creumir Guerra: “Por que a imprensa não fala dos lucros milionários dos oficiais de cartórios?”

1557449_637306179700987_6090397527055835934_nExiste uma ampla divulgação de algumas vantagens financeira conquistada pelos juízes, promotores, procuradores, desembargadores etc, sempre com aquela conotação de que é muito; de que é demasiado; de que é imoral.

Não vejo problema, pois é livre o direito de manifestação. O povo tem o direito de saber quanto efetivamente ganham seus prestadores de serviço público.

Mas não entendo porque a imprensa não fala de quem de fato ganha muito dinheiro nesse país. Quem, deveras, parece transcender à seara da moralidade.

Você sabe quanto ganha por mês um “dono de cartório”?

Não sabe. Pois é, isto depende do cartório. Os cartórios de registro civil e de notas de pequenos distritos não ganham tanto, mas os das cidades ganham bem e os das grandes cidades ganham milhões. Os oficiais de registro de imóveis são milionários. Numa cidade pequena a arrecadação pode ser de cem mil reais por mês.

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Entretanto nas grandes cidades, as cifras são milionárias. Os Cartórios da Grande Vitória faturam na casa dos vinte milhões por ano. O pior de todo é que a maioria não trabalha, apenas gerencia a grana e contrata funcionários para fazer o serviço.

Na minha cidade, Barra de São Francisco, o Cartório de Registro de Imóveis deve faturar em torno de dois milhões de reais por ano. Quanto deve faturar na sua cidade? É por esta razão que vi muitos juízes e promotores se inscrevendo para concurso para oficiais de cartório do Estado de Minas Gerais.

Pergunto-lhe: é moral um cidadão executor de serviço público ganhar R$ 500.000,00; R$ 1.000,000,00 ou até R$ 2.000.000,00 por mês? Enquanto a justiça, a segurança pública e a saúde estão à beira da falência?

Mas a imprensa não fala, não discute; não sei por que. Nem A Gazeta, nem A Trinuna, nem o JN, nem o Fantástico, nem o padre do rádio. De consequência, as ruas também não falam, porque não sabem. Vão sentir o peso na hora de registrar um imóvel, por exemplo. Tem coisa que é indignante. Se um produtor rural tomar R$ 10.000,00 de empréstimo e der seu imóvel como garantia, o registro da hipoteca pode chegar a R$ 5.000,00.

Passar no concurso para uma vaga de oficial de registro de imóvel por ser igual ou até melhor do que ganhar na mega sena. Num ano a pessoa já fica milionária.

Esses nobres cidadãos estariam bem remunerados com R$ 20.000,00 por mês livres das despesas, enquanto o remanescente poderia ser destinado à otimização do Poder Judiciário e do Ministério Público, por exemplo, ou da saúde, se for o caso. Mas isso depende de mudança na CF; de vontade política; de reivindicação popular; e, sobretudo, da imprensa.

No passado era pior: havia o deletério princípio da hereditariedade. Uma espécie de dinastia nos cartórios. Sem contar, é claro, com os nada transparentes concursos públicos para o preenchimento dos cobiçados cargos.

Esta matéria foi publicada na página do facebook de Creumir Guerra.