Contador da igreja Maranata atuava na fundação

Apontado como um dos cabeças do esquema que desviou recursos da Igreja Cristã Maranata, o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga também prestava serviços para a Fundação Manoel dos Passos Barros, que pertence à igreja. Foi ele quem assinou a última prestação de contas entregue ao Ministério Público Estadual (MPE), referente ao exercício de 2009.

Além do contador, há uma outra ligação entre a administração da Maranata e a fundação. As duas contrataram a mesma empresa que faz serviços de auditoria: a DW Audit. Atualmente, ela é a responsável por apurar o tamanho do rombo causado pelo desvio de recursos do dízimo dos fiéis. Estimativas iniciais apontam que o montante pode chegar a R$ 21 milhões.

Pendências

A Fundação Manoel dos Passos Barros não apresentou a prestação de contas de 2010. A última entregue, de 2009, apresenta várias pendências. Uma delas refere-se ao próprio contador, que não apresentou certidão de regularidade profissional.

O documento está sob análise da 15ª Promotoria Cível da Serra, que é responsável por fiscalizar todas as fundações localizadas no município.

Uma outra pendência identificada pelo Ministério Público diz respeito aos relatórios da auditoria que deveriam acompanhar a prestação de contas da fundação. O material não foi apresentado com os documentos referentes ao exercício de 2009, que conta apenas com um parecer da DW Audit.


Outra ausência refere-se aos extratos e à conciliação bancária de dezembro de 2009 de várias contas da fundação. Faltou também a declaração de regularidade da aplicação de R$ 300 mil para a compra de medicamentos. O valor veio através de convênio com o Ministério da Saúde, por meio de emenda parlamentar.

A fundação tem até o final deste mês para regularizar todas as pendências. O MPE afirma que se isso não acontecer vai requerer na Justiça a prestação de contas da instituição.

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Por meio de nota a Maranata afirmou que a igreja e a fundação “possuem gestões e atuação independentes”. Diz, ainda, que a contratação da empresa de auditoria se deu em momentos diferentes. A fundação contratou a DW Audit em agosto de 2010 para refazer o parecer de auditoria da prestação de contas de 2008, que apresentou situação semelhante a de 2009. Já a igreja contratou a mesma empresa em 2011 para apurar os indícios de irregularidades.

A igreja diz ainda que só recebeu a análise do MPES referente ao ano de 2009 em janeiro deste ano e que está tomando todas as providências para sanar as pendências até o final de fevereiro.

Instituição recebeu R$ 1 milhão da Saúde

A Fundação Manoel dos Passos Barros, que pertence a Igreja Cristã Maranata, recebeu R$ 1 milhão de recursos públicos vindos do cofre da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) nos anos de 2008 e 2009. Parte desse valor foi destinada à compra de um mamógrafo e um aparelho de ultrassonografia, que foram devolvidos por não estarem sendo utilizados.

Ao todo, foram destinados à instituição R$ 1,8 milhão de verbas públicas solicitada por deputados estaduais, como A GAZETA publicou no dia 16.

A verba destinada à compra dos dois equipamentos veio de emendas da ex-deputada Aparecida Denadai (PDT), que é da igreja. Para a compra do aparelho de ultrassonografia foram R$ 300 mil; e para o mamógrafo, R$ 150 mil. A deputada destinou, ainda, R$ 200 mil para custeio de água, luz e telefone da fundação.

Entenda o esquema
Fraude milionária
Um esquema de fraude foi montado na cúpula da Maranata com a participação de pastores, diáconos e fornecedores para desviar recursos do dízimo doado pelos fiéis

Rombo
Estimativas iniciais apontam para um rombo de pelo menos R$ 21 milhões. A Maranata recorreu à Justiça para pedir o ressarcimento de R$ 2,1 milhões

Acusados
Na Justiça, a igreja aponta como cabeças da fraude o vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga, também diácono. Eles foram afastados

Golpe
O golpe era viabilizado por notas fiscais frias, que permitiam a retirada de valores do caixa da igreja

Uso
Parte dos recursos desviados era usada na compra de carros e de imóveis e no pagamento de contas pessoais. Outra parte era investida na compra de dólares, enviados para o exterior na mala dos fiéis