Combater a corrupção é papel de todos

Os jornais anunciaram nesta quinta-feira que cerca de 30 mil pessoas foram às ruas do país protestar contra a corrupção no feriado de 12 de outubro. Em pelo menos dez capitais houve manifestações de gente de todas as idades, portando bandeiras e gritando palavras de ordem. Segundo o noticiário, em Brasília, a passeata teria tido mais consistência, reunindo cerca de 20 mil pessoas.

Todas essas manifestações, assim como aquelas que foram realizadas em sete de setembro último, com o mesmo propósito, rechaçar a corrupção, são uma expressão da democracia, podem e devem continuar. Mas há embutido nesse ato político, bons e maus sinais.

Os bons sinais são na direção de que há realmente indignação de muitos brasileiros contra essa chaga que se chama corrupção e que não há mais como conviver com isso. Anualmente bilhões de reais, fruto da irresponsabilidade, da impunidade, da gestão frouxa, do patrimonialismo, do clientelismo, entre outras mazelas. Resultado da caótica fiscalização e da má aplicação dos recursos públicos por parte de órgãos dos três Poderes, nas suas diversas instâncias, e nos três níveis da administração pública: federal, estaduais e municipais.

Há maus sinais nesse movimento também porque ele pode perder força e se dissipar, arrancando risinhos de canto de boca dos corruptos, na medida em que ele está-se isolando e ficando cada vez mais com cara de festa cívica, quando deveria ganhar caráter de manifestação política. E se realmente o movimento contra a corrupção não surtir os efeitos esperados, perdemos todos os brasileiros, ou seja, perde toda a Nação.

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Fato é que sem os partidos políticos e sem os políticos, sejam da situação ou da oposição, esse movimento tende a se esvaziar. E, uma vez minguado, estará perdida uma grande oportunidade de o país realmente acabar com a corrupção. Tem razão a colunista Dora Kramer, do Estadão, quando ela diz: “Nenhum movimento surge do nada, por geração totalmente espontânea. Nas Diretas Já havia o apelo da aprovação da emenda Dante de Oliveira e o comando da oposição. Os políticos foram para as ruas, organizaram os atos e davam consequência política a cada um deles”.

Os políticos e os partidos também precisam sinalizar que essa campanha não é para atacar ou enfraquecer o governo. No Congresso Nacional, por exemplo, há dezenas de projetos propondo mais rigor no combate à corrupção. São iniciativas dos vários partidos que, se aprovadas, ofereceriam aos governos instrumentos de combate à corrupção.

Já propus oficialmente à direção do Congresso Nacional a criação de uma comissão para analisar e votar esses projetos. Minha expectativa é que a iniciativa saia do papel ainda este ano. Estaríamos assim, os partidos com representação no Legislativo, e os políticos, fazendo a sua parte. Sinalizaríamos para a sociedade que estamos a favor do combate à corrupção e estamos fazendo a nossa parte.

Com certeza, em algum momento as manifestações contra a corrupção reunirão a sociedade, o Governo e a oposição. Afinal, corrupção não é de esquerda, de centro ou de direita. Ela é um câncer que mata crianças, jovens e adultos. Mas ela tem cura. E essa cura está na união de todos os que querem um Brasil de mãos e fichas limpas.

Senador Ricardo Ferraço

Joaquim São Pedro

Assessor de Imprensa

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