COLATINA – Juiz adia julgamento em resposta às ameaças dirigidas aos jurados.

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Luiz Carlos Zulske – empresário.
Ameaças veladas aos jurados e tiros disparados perto da casa da irmã do empresário Marcos Zopelari, assassinado com um tiro no olho, em 4 de outubro de 2006, dentro de uma farmácia, em Baixo Guandu, na região Noroeste do Estado, levaram o juiz André Guasti Motta, da 1ª Vara Criminal de Colatina, a suspender o júri do empresário Luís Carlos Zulske (foto) e do primo dele, um advogado criminalista. Os dois são acusados, respectivamente, de serem os mandante e intermediário do crime.

O julgamento que ocorreria ontem, quinta-feira (06), no Fórum de Colatina, agora não tem data para acontecer. Isso porque, o juiz pediu o desaforamento do processo para a Comarca de Vitória devido as ameaças sofridas pelos jurados. A ação penal já havia sido transferida de Baixo Guandu para Colatina devido à forte influência que Luís Carlos exerce no município onde o homicídio ocorreu. O empresário, segundo o Ministério Público, mandou matar o sócio Marcos Zopelari por causa de uma dívida de R$ 150 mil.

 

Ele contatou o primo, que é advogado criminalista, que intermediou o assassinato contratando dois pistoleiros por R$ 15 mil. Os dois executores do crime, Roberto Bastos e Alexandre Moreira Jardim, já encontram-se presos. Eles foram julgados e condenados a 19 anos de prisão. Alguns dias após o crime, os criminosos foram presos e assumiram a autoria do crime, sem incriminar o empresário e o advogado. As investigações apontam que o mandante do homicídio havia prometido uma pensão aos dois executores. Como a promessa não foi cumprida, o empresário e o advogado acabaram denunciados.

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Juiz André Guasti Motta – ES.

O juiz André Guasti Motta, em sua representação de desaforamento, afirma que na última terça-feira (04), alguns cidadãos, que compõem o corpo de jurados na Comarca de Colatina, foram procurados por uma pessoa que se dizia conhecida de um dos réus. Ela teria “solicitado” que caso fossem sorteados para o julgamento ajudassem o réu “que era uma pessoa boa”. Outro detalhe que chama a atenção é o fato de informações pessoais dos jurados serem de conhecimento da pessoa que fez as ameaças veladas. A pessoa ainda disse que estaria presente no plenário do júri.

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O juiz ainda afirma que o comportamento dos réus é “lamentável, oriundo de situações ocorridas em épocas em que se imperava o coronelismo, extirpado em grande parte do país do meio rural desde 1930, mas que parece aflorar no Noroeste do Estado do Espírito Santo, em duas cidades de médio e grande parte, como Baixo Guandu e Colatina, respectivamente”. Por fim, o magistrado determinou a prisão preventiva do empresário e do advogado. André Motta ainda determinou a abertura de inquérito para apurar as ameaças contra os jurados.

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Vista parcial da cidade de Colatina-ES

De acordo com as investigações da Polícia Civil, Marcos Zopelari e Luís Carlos Zulske eram sócios em uma rede de concessionária da Volkswagen, no interior do Estado. A vítima teria contraído uma dívida de R$ 150 mil, colocando o patrimônio dos sócios em risco. A partir daí, eles viviam discutindo. Até brigas foram registradas. Foi então que Luís Carlos decidiu mandar matar o sócio. Ele pediu ao advogado para contratar os pistoleiros.

No dia 4 de outubro de 2006, Roberto e Alexandre entraram em uma farmácia de Marcos, e um deles matou o empresário com um tiro no olho. Os suspeitos fugiram, mas acabaram presos. Eles confessaram o crime assumindo como se fosse um homicídio comum. Mas quatro anos depois, os pistoleiros decidiram contar a verdade, e incriminaram Luís Carlos e o advogado. Marcos Zopelari chegou a se candidatar a prefeito de Baixo Guandu. Ele prometia combater o crime organizado e a corrupção.