Clima de pressão em Brasília

Diante do risco iminente de derrota na Câmara, o governador Renato Casagrande apelou mais uma vez ao Planalto para que se encontre uma alternativa menos prejudicial às receitas do Espírito Santo com a nova regra dos royalties do petróleo. Ele esteve ontem com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e tratou das perdas bilionárias, mas ainda sem respostas objetivas do governo.

No Congresso, senadores e deputados federais do Rio e Espírito Santo também se mobilizaram em protestos.

Na segunda-feira, Casagrande conversou por longo tempo, por telefone, com a presidente Dilma Rousseff, que, vaga, nada revelou. Ele pediu a intervenção pessoal da presidente na condução do imbróglio. “A presidente não deu certeza do caminho que vai seguir, mas nosso papel é persistir. Pediu que eu e o governador Sérgio Cabral (Rio) aguardássemos uma posição dela”?.

Dilma respondeu que está “preocupada com a crise internacional” e conversa com ministros. Pediu diálogo com não produtores, mas ouviu de Casagrande que isso não surtiu efeito em todos esses meses.

O projeto que redistribui as receitas passou pelo Senado e chegou à Câmara, onde as bancadas do Rio e Espírito Santo articulam manobras para evitar a aprovação do texto.

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Ontem, parlamentares capixabas pressionaram o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, coma ameaça de ir para à Justiça caso a nova regra passe no plenário. Também deixaram claro que vão obter apoio de aliados paulistas para tentar obstruir a votação da PEC da DRU, mecanismo que prorroga para 2015 o poder da União para mexer de forma livre em 20% de suas receitas. Vaccarezza ficou, de novo, de conversar com Dilma e trazer resposta na segunda-feira.

Divididas em grupos de trabalho, as bancadas dos produtores ainda têm na manga um mandado de segurança coletivo a ser ajuizado no Supremo Tribunal Federal para barrar qualquer projeto em curso no Congresso que trate de royalties. Fora isso, Espírito Santo e Rio devem fazer protesto público no dia 10.

Ontem, o presidente da Câmara, Marco Maia, quequer votar a matéria na segunda semana de novembro, rejeitou encontro com bancada de produtores.

O Rio sugeriu a criação de uma comissão especial para tratar dos royalties, adiando a votação e o regime de urgência. O senador Ricardo Ferraço só mesmo vislumbra alternativa num veto de Dilma Rousseff.

foto: Agência O Globo
Senadores e deputados federais, incluindo Magno Malta, protestam contra partilha
No Congresso
Com deputados do Rio, o senador Magno Malta fez  em plenário um protesto pedindo o veto ao projeto de Vital do Rêgo. Nas camisas, os dizeres: “Dilma, mantenha o acordo do Lula”.