Clima de alívio na Assembleia com recusa de filiação de Max Filho no PSB

Após ameaçar tornar o mandato do governador Renato Casagrande (PSB) insustentável na Assembleia Legislativa, o clima de alívio tomou conta, na tarde desta segunda-feira (12), de grande parte dos deputados estaduais com a decisão do PSB de impedir a filiação do ex-prefeito de Vila Velha, Max Filho, ao partido. O presidente da Casa, o socialista Rodrigo Chamoun, por exemplo, disse que a decisão da Executiva do PSB tranquilizou o ambiente político no Espírito Santo. “A decisão da Executiva do PSB fortalece a harmonia política do Espírito Santo. E isso é muito importante para os capixabas”, resumiu.

Mas afinal o que tanto preocupava os parlamentares com a possibilidade do petebista tornar-se socialista? A resposta é simples: interesses político-eleitorais. Há hoje na Assembleia pelo menos três pré-candidatos a prefeito de Vila Velha, além da bancada do PR ter ficado irritada, já que o atual prefeito Neucimar Fraga, adversário político de Max Filho, seria mais um a contar com o possível apoio do governador Renato Casagrande.

A possibilidade de Max Filho ir para o PSB provocou reações de reprovação por parte de líderes de quase todas as legendas que estão representadas na Assembleia. O presidente Estadual do DEM, deputado Rodney Rocha Miranda, um dos cotados para disputar a Prefeitura de Vila Velha, declarou no último domingo (11) ao jornal A Gazeta que o PSB estaria mais preocupado com seus interesses partidários do que com a governabilidade de Casagrande. Nesta segunda-feira Rodney mudou de postura e preferiu o silêncio. “Meu querido, agora não vou falar nada”, disse.

No dia 30 de agosto, poucos dias após o anúncio de que Max Filho poderia ingressar no PSB, o DEM destacou que a filiação de Max seria uma grande ‘trapalhada’ do PSB. Na ocasião, o deputado Theodorico Ferraço lembrou que os interesses do partido não podem ser superiores aos interesses de governo. Admirador de palavras de efeito e sempre pronto para uma boa briga política, Ferraço disse que a notícia de uma possível ida de Max Filho para o partido do governador atingiu à Assembleia como um tufão e que o sabor e o apetite partidário não podem ser superiores aos interesses governamentais.

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Desta vez Ferraço disse que toda a movimentação desde a possível filiação até a recusa, anunciada na tarde desta segunda, foi uma falta de respeito com o pretendente à filiação, e que o momento foi inoportuno. “Se houve o convite, se ele assinou a ficha de inscrição, ou iria assinar, e retiraram o convite, acho que foi uma verdadeira falta de respeito. Mas como se trata de um assunto interno do PSB eu continuo assistindo de camarote. Eu preferia que o governo se preocupasse com a governabilidade. Com os problemas que hoje afligem o Estado”, disse.

A decisão da Executiva do PSB divulgada por meio de nota na tarde desta segunda foi bem avaliada pelo líder do governo no Legislativo, deputado Marcelo Coelho (PDT). “Eu vejo que a decisão da Executiva do PSB foi uma decisão grandiosa em favor do Espírito Santo. Uma decisão muito responsável. E com todo respeito ao pretendente, que desejava assinar a ficha do PSB, essa filiação não iria contribuir para manter a unidade dos parlamentares na Assembleia Legislativa”, declarou o pedetista.

O deputado Glauber Coelho (PR), também adotou o mesmo discurso do líder do governo na Assembleia. Ele ainda citou a importância do PSB na disputa eleitoral de Vila Velha, especificamente no caso do prefeito Neucimar Fraga que deve ser candidato a reeleição. Coelho lembrou os momentos em que o PR apoiou Renato Casagrande.

“O PR tem sido parceiro do governador desde sua eleição para senador. Fomos parceiros dele (Casagrande) na corria ao Senado e agora na última eleição. Apesar de ser legítima a movimentação partidária (do PSB), mas nós entendemos que havia necessidade de levar um adversário do governo e nosso, no município de Vila Velha, para o berço do PSB. Entendemos e respeitamos a posição do PSB, de levar o ex-prefeito para o PSB, mas entendemos também que o PSB é importantíssimo na reeleição de Neucimar à Prefeitura de Vila Velha. Por isso tivemos a postura contrária à entrada de Max no mesmo partido do governador do Estado”, disse o republicano.

O deputado Cláudio Vereza (PT), um dos nomes cotados pelo Partido dos Trabalhadores para disputar a prefeitura de Vila Velha, disse recentemente que o governador Renato Casagrande precisaria tomar uma decisão rápida, visto que ele é o principal líder do PSB. Vereza frisou que e o clima na Assembleia era de revolta e reclamações. Agora Vereza diz que esse é um assunto doméstico do PSB e que é indiferente para o PT, mas que há um clima de alívio para 2012.

A reportagem tentou falar com o ex-prefeito Max Filho para conseguir mais detalhes sobre o assunto. No período da tarde desta segunda ele informou que se pronunciaria, mas não foi localizado por telefone celular. Dirigentes da Executiva Estadual do PSB também não foram localizados.