Cerol corta pescoço e dedo de professora em rodovia de Cariacica

O trajeto entre a casa e o trabalho da professora Tânia Mara Ottoni Lopes, 24 anos, foi interrompido por um fio com cerol, na tarde desta terça-feira (12), em Cariacica. A pedagoga estava de moto e foi atingida quando passava por uma rodovia entre os bairros São Vicente e Santa Bárbara, conhecida como corredor Sudoeste, em Cariacica. A linha da pipa provocou cortes no pescoço e na mão da motociclista. Ela precisou ser levada às pressas para o Pronto Atendimento (PA) de Viana. Assustada, Tânia Mara pensa em vender a moto com medo de outro incidente.

De acordo com a professora, ela seguia com a moto para a superintendência de Educação, em Campo Grande, Cariacica. A moto estava há 40 km/h. No local, várias crianças estavam brincando com pipas e por isso resolveu reduzir a velocidade. O acidente aconteceu por volta das 14h30. A vítima sentiu um aperto no pescoço e parou a moto para se desvencilhar da linha, chamando a atenção de outro motociclista que parou para ajudá-la.

“Eu avistei um menino soltando pipa, mas segui o meu caminho. De repente senti a linha me puxar e consegui controlar a moto, parando em seguida. Tentei tirar a linha do meu pescoço, e acabei machucando o dedo. Um motoqueiro, que passava, viu que não conseguia tirar e me ajudou. Mesmo assim, o garoto continuou puxando a linha”, lembra a professora.

Segundo a vítima, o motociclista chegou a correr atrás do menino, que estava puxando a linha, mas ele conseguiu escapar. Os moradores da região acionaram a ambulância do  Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU-192). A mulher perdeu muito sangue e na hora ficou desesperada. Devido a demora no atendimento, a pedagoga ligou para o sogro, que é policial civil. Ele a levou para o PA de Viana com a viatura que estava no serviço.

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Tânia Mara ressalta que caso estivesse em alta velocidade o pior poderia ter acontecido. “Se eu estivesse correndo como pede a rodovia, com certeza o acidente seria bem pior. Na hora pensei logo no meu filho e na minha família, mas graças a Deus as pessoas são solidárias. Os moradores e os ciclistas me acalmaram”, disse a vítima.

A professora teve um corte no pescoço e precisou de levar pontos falsos. Já no dedo anelar direito, que também ficou ferido, a mulher levou cinco pontos. A professora vai ter que ficar afastada por 27 dias do trabalho. Tânia Maria não quer saber mais de moto. “Estou de atestado médico e não pretendo mais usar a minha moto porque foi um susto muito grande. Estou assustada e a única opção que tenho é andar de ônibus ou de carro”.

A reportagem voltou ao local do acidente nesta quarta-feira (13), e encontrou vários garotos soltando pipas, as margens da rodovia corredor sudoeste. As crianças garantiram que não usam cerol na linha durante a brincadeira. Portanto, a pedagoga espera que seja feita alguma campanha com as crianças na escola.

“Eu sugiro que seja feito um trabalho nas escolas de conscientização. O local que eles estão soltando pipa é perigoso, e pelo fato de estarem usando cerol. Esse tipo de acidente pode acontecer não só com quem está de moto, mas a pedestres e a ciclistas. Então, um projeto pode alertar as crianças do perigo que estão nas mãos”, sugere Tânia Mara.

O cerol é o nome dado a uma mistura de cola e vidro moído, que é aplicado em linhas de pipas. Ele é usado para empinar e cortar outras pipas. Nos meses de Janeiro, Fevereiro, Junho, Julho e Dezembro, que correspondem aos períodos de férias escolares, é comum as crianças optarem por essa brincadeira.