Cem máquinas começam a recuperar estradas

Depois de três dias sem chuva, chegou a hora de olhar para frente. Técnicos do governo do Estado começaram a dimensionar o tamanho da destruição. Na semana que vem, as pastas da Agricultura e dos Transportes encaminharão um relatório preliminar ao governador Renato Casagrande. Depois disso, um plano de ação será elaborado. Enquanto isso, mais de 100 máquinas trabalham na recuperação emergencial de estradas estaduais e vicinais prejudicadas pelas enchentes que castigaram todo o Espírito Santo nos últimos 20 dias.

“Nossa prioridade continua sendo salvar vidas, isso passa também pelo restabelecimento da nossa malha rodoviária, que foi muito prejudicada pelas chuvas. Tem muita gente isolada. A situação ainda está sendo dimensionada, mas iniciamos, ontem (quinta-feira), a reconstrução da infraestrutura do Espírito Santo”, disse, ontem, o governador Renato Casagrande numa reunião, convocada por ele, do Conselho de Desenvolvimento e Social do Espírito Santo (Codes).

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Os trabalhos percorrerão todo o ano de 2014 e consumirão centenas de milhões de reais. Para realizá-los e pagá-los, governo e, principalmente, prefeituras precisarão de ajuda, auxílio esse que já começou a chegar. Ontem, a Federação do Comércio colocou R$ 7,5 milhões à disposição do Estado. “É para ajudar as vítimas e na reconstrução”, assinalou o presidente da Fecomércio no Estado, José Lino Sepulcri.

O setor produtivo também está fazendo um balanço do pós-chuvas, e já se sabe que precisará de ajuda. A Fecomércio solicitou ao governo a criação de um fundo para atender todo o setor produtivo. “Estimamos, somente no comércio, um prejuízo de R$ 20 milhões. As vendas caíram mais de 50% neste final de ano”, disse Sepulcri.

O presidente da Federação das Indústrias, Marcos Guerra, sugeriu a criação de uma linha de crédito específica, com juros subsidiados, para socorrer o empresariado. “Isso foi feito na enchente de 1979. Hoje, temos casos de empresas que perderam todos os seus estoques.”

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No agronegócio, mais perdas. A secretaria de Agricultura do Estado estima que cerca de 40% da área produtiva do Estado foi afetada.

Presentes no encontro do Codes, executivos de Banestes e Bandes anunciaram linhas especiais. No Banestes, os financiamentos Nossocrédito Emergencial, Credifácil Emergencial e o Capital de Giro Emergencial poderão ser contratados em áreas comprovadamente atingidas pelas enchentes.

Ana Rita assume papel de advogada de Dilma

A senadora Ana Rita Esgário (PT) assumiu o papel de advogada do governo Dilma Rousseff. Na sexta-feira (27), durante a reunião do Codes, a parlamentar garantiu que não faltam recursos federais no Estado.

“Muito se fala que o governo federal não está mandando dinheiro para cá. Dinheiro tem, o que não tem é projeto defensável. Converso com prefeitos e governo do Estado desde 2011, quando assumi, mas as coisas não andam”. Em seu discurso, a senadora foi além. “Se não temos profissionais no Estado para isso, devemos buscar fora”.

A petista foi criticada pelo presidente da Associação dos Municípios do Estado, Dalton Perim (PMDB). “Foi infeliz. Tem muito projeto bom que não é contemplado. O dinheiro não está sobrando, a burocracia é que é grande”.

O governador Renato Casagrande (PSB) também respondeu a senadora. “O governo do Estado está, sim, elaborando projetos”, garantiu.

Verba de emendas para reconstruir cidades

A bancada federal capixaba aguarda uma reunião no Ministério do Planejamento para bater o martelo sobre a destinação dos R$ 195 milhões em emendas ao orçamento da União – que prevê R$ 15 milhões para cada parlamentar escolher onde aplicar.

As emendas individuais já foram definidas e iriam beneficiar, principalmente, os redutos eleitorais de cada um. O senador Ricardo Ferraço (PMDB), no entanto, propôs que o dinheiro seja repassado ao governo do Espírito Santo para ajudar a recuperar o Estado após as chuvas.

O líder da bancada, deputado federal Paulo Foletto (PSB), endossou a ideia, mas disse que para que ela se concretize é preciso que o Ministério do Planejamento concorde e se comprometa a agilizar o envio dos recursos. “Tenho emenda de 2012 que até hoje não foi executada. O dinheiro para ajudar o Estado tem que vir no máximo no primeiro trimestre de 2014, não pode ficar para depois”, afirma Foletto.

Metade do valor das emendas está comprometida com Saúde. É preciso saber se todo o montante seria liberado devido às enchentes. A reunião dos parlamentares, com participação do governador Renato Casagrande (PSB), ainda será agendada no Planejamento.